Por Steven Allain

John John Florence, campeão do mundo durante o Pro Portugal. Foto: WSL

JJF

É muito difícil vencer dois títulos mundiais consecutivos. Só Slater, Irons, Curren, Carroll e Mark Richards conseguiram tal feito. Junte a essa interessante estatística o fato de que John Florence é havaiano e surfa as melhores ondas do mundo a poucos metros de sua casa, e fica óbvio que para manter a chama da competição acesa, ele terá que mostrar muita determinação e força mental – algo que, até agora, não vimos do havaiano. Ele é atualmente o surfista mais completo do Tour, mas seu título foi conquistado de maneira relativamente fácil. Em 2017, a briga promete ser mais acirrada – e se Florence não mostrar mais instinto assassino, dificilmente repetirá o feito de 2016.

Gabriel Medina – e a onda nota 10 na etapa de Fiji em 2016, da qual foi campeão. Foto: WSL

Gabriel Medina

O final do ano passado deve ter sido difícil de engolir para Gabriel Medina. Levou aquela garfada absurda em Trestles – essencialmente acabando com suas chances de conquistar o bicampeonato mundial – e de quebra seu pai e treinador, Charles Saldanha, foi suspenso por 6 meses dos eventos da WSL após dizer umas verdades ao painel de juízes. Só que Medina não se abala facilmente. Sua vontade de vencer e sangue frio nos momentos mais tensos, ao lado de seu talento bizarro, são o que fazem dele o melhor competidor do mundo. Gabriel nunca precisou de motivação extra para buscar a vitória. Mas imagino que esteja mordido após terminar em 3º nos últimos dois anos e em 2017 vem determinado a provar para adversários, juízes e críticos que o caneco é dele. Candidato ao título, claro.

Julian Wilson: power surf é pra quem tem. Foto: WSL

Julian Wilson

Julian ainda não teve um ano impecável no Tour e mesmo assim continua com status de candidato ao titulo temporada após temporada. Isso porque seu talento é inegável. Tem, ao lado de Adriano de Souza, a melhor cavada do Tour. A diferença é que Mineiro tem mais garra. Por outro lado, Wilson tem mais “flair”. Um fato que parece passar despercebido para a maioria é que o australiano surfa muito em condições pesadas. Esse pode ser o ano de Julian – assim como JJF, é um surfista que todo mundo sabe que, eventualmente, vai conquistar um título mundial.

Filipe Toledo, Quiksilver Pro Franc, 2016. Foto: WSL

Filipe Toledo

Calou a boca dos críticos ao tirar a única nota 10 do último Pipe Masters e por muito pouco não foi mais longe – perdeu para o eventual campeão, Michel Bourez, por um ponto. Espere um Filipinho destruidor em 2017. Ele sabe que tem surf para ser campeão mundial e se conseguir evitar as lesões que o atrapalharam nos últimos dois anos, pode e deve fazer uma campanha vencedora.

Jordy Smith celebra o bi no Hurley Pro Trestles 2016. Foto: WSL

Jordy Smith

O sul-africano terminou o ano na 2ª colocação, mas se a história é algum indicativo, deve cair no ranking em 2017 – nas duas vezes que figurou entre os Top 5 anteriormente, despencou em colocação vertiginosamente no ano seguinte. Mas uma coisa é indiscutível: Jordy é um dos melhores e mais versáteis surfistas do Tour. Seu surf inspira mais do que a maioria dos Tops. Talvez ele tenha aprendido com os erros de anos passados e entre na briga pelo caneco, mas com tantos candidatos sérios ao titulo em 2017, terá que mostrar algo que nunca vimos dele – consistência – em abundância.

Adriano de Souza: campeão mundial – e Pipe Master – no Hawaii em 2015. Foto: WSL

Adriano de Souza

Mineiro nunca surfou tão bem e nunca me pareceu tão à vontade na posição de líder do time brasileiro no WT. O “Capitão Nascimento” da Brazilian Storm ficou fora dos Top 10 por apenas um lugar no ano passado – o que é normal em ano pós-titulo mundial. Mas engana-se quem acha que ele não irá mais brigar pelo caneco – ou ao menos ter papel decisivo na disputa. Adriano é um dos competidores mais constantes e temidos do circuito e deve retornar ao seu merecido lugar – dentro dos Top 10 – no ano que vem.

Kelly Slater rumo vitória na final do Pro Tahiti 2016 – a quinta vitória na etapa da carreira. Foto: WSL

Kelly Slater

O que falar do Rei? Mesmo depois de décadas no Tour, ele permanece uma incógnita. Será que vai aparecer na Gold Coast com espetacular superioridade e começar sua campanha na frente, como o fez tantas vezes? Ou irá amargurar alguns resultados fracos e correr atrás durante o resto do ano? A única certeza é que antes da aposentadoria, nosso maior campeão vem com tudo para um último ataque ao caneco. E um Kelly determinado, saudável, mais velho e sábio, é possivelmente o mais perigoso que veremos no Tour. A não ser que o WT seja assolado por ondas ruins nas etapas cascudas e de pointbreaks (Fiji, Teahupoo, Pipe, Gold Coast e J-Bay) – é seríssimo candidato ao título.

Wiggolly Dantas, Fiji, 2016. Brasileiro terminou em quinto na etapa. Foto: WSL

Wiggolly Dantas

Todo mundo – gringos, brazucas, imprensa, fãs e juízes – sabe que Guigui tem surf de sobra para ir mais longe, especialmente em ondas de conseqüência. Em 2016 não encontrou a fórmula da vitória, apesar de ser considerado o melhor surfista de backside do Tour. Se tivermos altas ondas em lugares pesados como Fiji, Tahiti e Pipe em 2017, suas chances aumentam. Quando quebrar a barreira das quartas-de-final e ganhar embalo, é candidato a manter-se nos Top 10.

Kolohe Andino, quarto colocado no ranking do WT. Foto: WSL

Kolohe Andino

Já foi o garoto de ouro do yankees, até levar algumas surras no WT nos anos passados. A perda de moral – com o tempo ninguém mais apostava em Kolohe para ganhar coisa alguma – foi um balde de água fria que amadureceu o californiano. O fruto disso apareceu em 2016, onde Kolohe mostrou foco e inteligência em baterias cruciais. Surf, ele tem de sobra. O que ainda é incerto é se 2016 foi uma amostra do que está por vir, ou seu ápice competitivo.

Mick Fanning em J-Bay após evento traumático de 2015 – o ataque de tubarão. Foto: WSL

Mick Fanning

Um dos surfistas mais difíceis de vencer no Tour. Mick une talento, disciplina, força mental, inteligência e experiência como nenhum surfista antes – e, por enquanto, depois – dele. É o único gringo que tem garra de brasileiro. Arrisco dizer que se vencer o titulo, aposenta-se. E isso é um incentivo e tanto para alguém que já conquistou todos seus objetivos no cenário competitivo. Com as atenções viradas para Medina e JJF, Mick vai correr pelas beiradas e se derem brecha, leva o caneco antes que seus adversários percebam.

Caio Ibelli, Portugal. Foto: WSL

Caio Ibelli

O Rookie of The Year de 2016 surpreendeu muita gente, especialmente o contingente estrangeiro que não esperava um novato tão tomado. Caio bateu JJF com aéreos, ganhou de Kelly em tubos e despachou grandes nomes o ano inteiro com a segurança de um veterano. Fechou o ano em 16º. Assim como Guigui, brilha quando o mar sobe. Ou seja, se em 2017 tivermos algumas etapas com condições épicas, Ibelli pode surpreender ainda mais e se garantir entre os Top 10.

O surfista de São Sebastião terminou 2016 em 22º – na risca do corte que classifica os vinte e dois primeiros para a próxima temporada. Foto: WSL

Miguel Pupo

O brazuca com mais estilo no Tour teve um 2016 abaixo do esperado. Chegou em duas quartas de final (Rio e Portugal), mas amargurou muitos 13ºs, que prejudicaram seu ranking final – terminou em 22º. Foram dois anos seguidos terminando perto do corte, algo que certamente o motivará ainda mais em 2017. Pupo tem surf para estar nos Top 10 – se ajustar um par de detalhes, chega lá tranquilamente.

Ítalo Ferreira – qual carta na manga terá o Rookie do ano de 2015? Foto: WSL

Ítalo Ferreira

Ítalo tem um estilo único, com uma base extremamente sólida – o que lhe possibilita voltar de manobras dificílimas e desferir patadas letais. Em um circuito onde a maioria dos competidores tem uma abordagem muito parecida, é inspirador ver um cara que une power e modernidade, de uma maneira completamente distinta. Tem mais garra que 99% dos companheiros de Tour. Aposta certa para os Top 10 de 2017.

Guerreiro, Jadson André classificou-se para a temporada de 2017 graças a bela atuação na Tríplice Coroa Havaiana. Foto: WSL

Jadson André

O potiguar garantiu-se no WT aos 45 do 2º tempo no Hawaii. Passar a prova de fogo na Tríplice Coroa Havaiana deu confiança a Jadson, que entrando em seu oitavo ano de Tour, parece ter encontrado o equilíbrio entre descontração e foco. Um dos caras responsáveis pelo sucesso da Brazilian Storm, já que nos bastidores está sempre incentivando e ajudando os companheiros brazucas – um fato que muitas vezes passa despercebido. É um surfista que, no dia certo, ganha de qualquer um no Tour. Ficamos na torcida para que ele tenha vários deles em 2017.

Leia AQUI a 10 PERGUNTAS com Jadson André.

Ian Gouveia – candidato a Rookie de 2017? Só o tempo dirá. Foto: Henrique Pinguim

Ian Gouveia

Não deve ser fácil carregar o sobrenome Gouveia no Tour. Mas além do nome, Ian herdou a positividade e bom humor do pai – e não parece sentir a pressão de ter que honrar o legado de seu coroa. Tenho a impressão de que Ian quer ganhar pelas razões certas, e isso já é meio caminho andado. Vai brilhar quando o mar subir, pode anotar.

Promessa Rookie: Ethan Ewing

Fique de olho nesse garoto. Ethan venceu quase tudo como grommet e junior na Austrália e classificou-se com relativa facilidade. É impossível assisti-lo surfando e não lembrar de Andy Irons – Ewing tem um estilo muito parecido ao falecido tricampeão mundial. Isso é, sem dúvidas, um grande elogio. Mas é também um fardo que ele terá de carregar até que seja reconhecido por seu próprio mérito. Se continuar no caminho que vem traçando, não deve demorar muito.

Quer ver um pouco do surf do garoto? Solta o vídeo:

Clique AQUI para ver os confrontos do Pro Gold Coast.

  • James B

    Sem uma gota de puxa saquismo, concordo em tudo.