O prefeito de Honolulu, Kirk Caldwell, anunciou nesta quarta (7) que foi definitivamente negado o pedido de troca de data do Pipe Masters 2019, de dezembro para janeiro. “Eu revisei as variações solicitadas e não estou apto a acomodar os pedidos da WSL”, escreveu o político em uma carta.

Segundo declarações de Sophie Goldschmidt, CEO da WSL, isso pode implicar em uma saída da entidade do Hawaii por tempo indeterminado – leia-se: a partir de 2019, o circuito mundial de surf não terá mais eventos nas ilhas.

A WSL perdeu os prazos de submissão de pedidos de licença para realização de eventos ao Departamento de Parques e Recreação do estado do Hawaii. A WSL, assim como inúmeros outros solicitantes, foi informada no dia 19 de outubro que alguns pontos do seu último pedido de licença para realização dos eventos não preenchiam certos requisitos obrigatórios, e que o prazo para entrega dos pedidos devidamente reformulados tinha sido estendido até o dia 9 de novembro. O pedido da WSL foi entregue apenas no dia 6 de dezembro, motivo pelo qual foi recusado.

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Goldschmidt alegou que o pedido abarcava “mudanças administrativas mínimas”, já que apenas mudaria os eventos realizados dentro de datas que já haviam sido concedidas à WSL.

A mudança, entretanto, não seria assim tão pequena: a troca do Volcom Pipe Pro, um evento de 3000 pontos do QS, com repercussão limitada à própria esfera do surf, no qual participaram, na última edição, apenas quatro surfistas da elite, pelo Pipe Maters, o mais tradicional de todos os campeonatos de surf, que envolve premiação, estrutura e movimentações de público e imprensa muito maiores. Em resumo, implicaria a realização de dois Pipe Masters em uma mesma janela de três meses durante a cobiçada temporada de inverno.

Antes mesmo que os pedidos entregues dentro do prazo fossem avaliados pela comissão responsável por conceder as licenças, a WSL, através de Goldschmidt, entrou em contato com diversas instâncias políticas do arquipélago, a fim de pressioná-las para que o pedido da entidade fosse levado em consideração. Isso provocou forte atrito, sobretudo com o prefeito Caldwell, com quem Goldschmidt tentou uma reunião no início desta semana.

Inúmeros surfistas se pronunciaram em favor da WSL na situação, incluindo Kelly Slater e Sunny Garcia. Essas declarações, somadas ao fato de Goldschmidt ter tornado a situação pública através do jornal Honolulu Star Advertiser – primeiro veículo a noticiar a disputa -, teriam acirrado o clima de animosidade entre a WSL e os políticos do Hawaii, dificultando ainda mais uma saída conciliatória entre as duas partes.

O veto ao pedido de mudança do Pipe Masters afeta diretamente toda a reorganização de calendário que havia sido anunciada pela WSL a partir de 2019. O abandono de todas os eventos organizados no Hawaii ao longo do ano não é uma implicação direta desse veto, mas sim uma posição definida pela própria WSL e anunciada por declarações de Goldschmidt caso seus pedidos fossem negados – nos próximos dias devemos saber se se tratava um blefe ou de uma cartada definitiva.

Foto de capa: multidão nas areias do North Shore durante o último Pipe Masters (Tony Heff/WSL)