“Essa onda tende a democratizar o surf e a fornecer incríveis oportunidades de treino para atletas e possíveis surfistas de zonas sem oceano,” Kelly Slater

É a bomba do dia. A World Surf League (WSL) acaba de anunciar a intenção de compra, como acionista majoritária, da KS Wave Co. (KSWC) de propriedade  Kelly Slater, 11x campeão mundial de surf.

De acordo com o comunicado oficial da Liga Mundial de Surfe, a parceria entre as duas partes será dedicada à promoção e ao crescimento do surfe de alta performance ao redor do planeta. A tecnologia revolucionária da KSWC será o primeiro de vários centros de treinamento de alta performance, onde a WSL pretende criar uma agenda para os próximos anos. 

Para Kelly Slater, a criação desta tecnologia de ondas artificiais absolutamente incríveis é a realização de um sonho de longa data, de um projeto de 10 anos. “Para mim, o surfe foi sempre sobre a aventura, as viagens e o oceano, mas esta onda abre novas oportunidades para o esporte sem retirar o verdadeiro espírito que atraiu muitos de nós em primeiro lugar”, disse o norte-americano, acrescentando que; “Surfar altas ondas num ambiente controlado é o próximo nível, sem ter de disputar ondas ou qual a melhor a escolher – pois todas são boas. Todos podem relaxar, divertir-se e focar em melhorar o seu nível de surf.”

Stephanie Gilmore em uma “sequência de sonho” na piscina do Kelly. 

Kelly Slater adiantou ainda que, “Está para além dos meus sonhos esta onda ser o primeiro passo para o desenvolvimento global. Ela tende a democratizar o surfe e a fornecer incríveis oportunidades de treino para atletas e possíveis surfistas de regiões sem oceano.”

Já Paul Speaker, CEO da WSL, acrescentou: “A WSL orgulha-se de representar as melhores mulheres e homens do surf global, e esta incrível tecnologia criada por Kelly Slater e a sua equipe é uma inovação revolucionária que tem o poder de melhorar todos os pormenores do nosso esporte.”

A tecnologia da KSWC cria uma oportunidade para que os surfistas pratiquem e desenvolvam elevados níveis de performance num ambiente de repetição, com câmaras de filmar em redor e vários sensores que permitem melhorar, aperfeiçoar e receber feedback quase de imediato. 

Paul Speaker garantiu ainda que as ondas desta piscina artificial são realmente fantásticas, mas não existem planos de uma competição no local, e assegurou que “O oceano será sempre a nossa casa e as boas ondas do World Tour serão sempre a espinha dorsal do nosso calendário competitivo.”

Os detalhes financeiros desta “joint venture”, entre a WSL Holdings, uma empresa associada da WSL; e a KS Wave Co., não foram revelados no comunicado, mas a assinatura segundo se pode ler está para breve. Fica sintonizado para mais novidades.

 

FABINHO GOUVEIA: “Esse cara aí é um danado, viu, velho…”

Antes de sair a notícia da intenção de compra da WSL, na edição de maio da Revista Hardcore (#317), Fabinho Gouveia falou sobre as piscinas de ondas, de como elas estão na mira no futuro do surf e na evolução dos equipamentos. Leia abaixo os dois trechos retirados na íntegra da matéria “Na Mente de Fia”:

Qual será a grande mudança no surf?

Cara, acho que a grande mudança é quando pegar piscina de onda. Esses lagos artificiais que nego tá fazendo –quando isso aí pegar, quando rolar uma etapa num lugar desse, eu acho que vai ter alguma mudança inclusive de equipamento; estabelecer algum equipamento que ande nessas condições, porque vai ser um lance de que uma onda é igual a outra. Aí de repente nego vai começar a usar até mais coisa assimétrica, sei lá. Eu não gosto muito dessas coisas de assimétricas (risos). Tipo, quilha tudo bem, bico… O que não gosto muito é uma rabeta assim, outra não – não curto muito, não. Mas assim, não é que eu fique com a mente fechada. Curtir não quer dizer que você não vai usar. Tem que experimentar sempre, senão fica parado.

E você já ganhou em piscina de onda, no Japão…
É, venci em 93 e 94, em 89 tinha sido vice e em 96 fiquei em terceiro em uma onda na Flórida. Foram eventos especiais da ASP, só para convidados Tops (óia que chique!). Naquela época a gente já achava que ia ser o futuro. Mas o negócio ficou meio que estagnado por causa do custo. Só que, pô, agora com essas novas ondas, com esses lagos que estão fazendo – a tecnologia um pouco mais barata e o negócio melhor. Estão fazendo uma grande no Texas também, né? E o Kelly está à frente – um lance importante para a evolução. Esse cara aí é um danado, viu, velho…

Veja também:

Kelly Slater abre a porta de sua piscina de ondas. Assista aos vídeos

Posts Relacionados