Quem quer a sua velha e boa ASP de volta, levante a mão! JamesB via #HCOLLAB

Ok, galera, depois de um tempinho de hibernação criativa (eu só escrevo quando estou com saco), vosso “James B” está de volta, dessa vez pra falar de um assunto que nunca me desceu pela goela. A WSL.

Para os leitores que não sabem, a WSL surgiu a partir da tomada de controle por um grupo de investidores da antiga ASP (Associação dos Surfistas Profissionais), a entidade que realizava o circuito mundial e que comandava o surf profissional por mais de 30 anos. A ASP estava em dificuldades financeiras, pois os eventos e o Tour eram bancados basicamente pela tríplice irmandade: Quiksilver, Billabong e Rip Curl, que patrocinavam 90% dos eventos a cada ano. Mas com a crise financeira que abalou as marcas, ali por volta de 2010 em diante, a grana estava sumindo e a ASP não se sustentava mais. Aí aparece a WSL e toma o negócio sem gastar nenhum tostão! Assumiram, tomaram, e a antiga ASP entregou a parada de mão beijada.

Ok, até aí tudo bem. Mas vamos em frente…

Primeiro: de quem é e quem manda na WSL? A empresa se chama ZoSea, e o principal acionista se chama Dirk Ziff, um bilionário americano. O cara está botando milhões no negócio desde o takeover.

Mas, caros leitores, sabem quem estava lá em 2012, na reunião que marcou a troca de comando do surf, e que era o porta voz da ZoSea? Um cara chamado Terry Hardy. Já ouviram falar nele? A maioria de vocês, não. Mas eu digo pra vocês quem ele é. É o empresário de longa data do nosso querido 11x campeão mundial, Kelly Slater! Isso mesmo. O porta voz da ZoSea na tomada de poder do surf mundial foi o empresário do Slater. Será que ele caiu de paraquedas? Coincidência? Eu acho que não.

Na minha humilde opinião, o Slater esteve e está por trás do negócio o tempo todo, usando o dinheiro do Ziff e sendo um sócio escondido ali, caladinho. Ainda no campo das “coincidências”, alguns anos depois a WSL adquiriu (por uma grana não revelada) os direitos da piscina de ondas do careca. Sei… e continuando com as coincidências, é cheio de amigo do Slater trabalhando na WSL. Por exemplo, o voz estridente Strider Wasilevski, o parcial Kieren Perrow, etc. Agora, só falta o Raimana Bastolear no lugar do Renato Hickel.

Ok, mas a WSL assumiu o surf profissional prometendo revolucionar o Tour e levar o surf a um novo patamar global de audiência e grana.

A pergunta para a reposta: E o que aconteceu em 4 anos? Bem, acho que realmente as transmissões online melhoraram muito.

Mas e o restante?

CAIXA PRETA? TEORIA DA CONSPIRAÇÃO?

Uma coisa que eu não aceito: A WSL é uma caixa preta. Zero transparência, e como entidade que rege o esporte, isso não poderia acontecer. A WSL é uma empresa, visa o lucro. E como tal, o que impede os desvios de conduta? O que impede que os interesses corporativos direcionem decisões, resultados ou até o julgamento? Amigos, não se iludam, dentro do palanque e nas salas onde as decisões são tomadas, muita coisa acontece e nem eu nem vocês ficamos sabendo de coisa alguma.

John John ergue o caneco em Portugal, conquistando antecipadamente seu primeiro título. Valeu? Você que o diga, caro leitor. Foto: WSL

E nem me venham com conversa mole de que o título mundial 2016 do John John Florence não foi facilitado em diversos momentos. Por que foi. O padrasto e técnico do Medina, Charles Saldanha, não aguentou mais, perdeu o controle com a coisa em Portugal, e adivinhem: 6 meses de suspensão.

E para os que não defendem teoria da conspiração e falam coisas como: “Ah!! Mas se a WSL fosse parcial, Medina e Adriano não teriam sido campeões mundiais.” Na minha visão, Medina e Adriano foram campeões mundiais “apesar” da parcialidade na WSL. Mas isso é assunto para outro artigo.

Voltando ao tema: além disso, a WSL nunca permitiu a livre expressão dos atletas. Você não assiste basicamente nenhuma polêmica, rivalidade, até as entrevistas após as baterias ficaram robotizadas. Todos tem medo de falar, se expor e sofrer penalizações.

E me entendam: eu gosto do lado profissional do esporte. Mas não aceito a maneira que a WSL, aparentemente, controla e manipula comissão técnica, mídia e surfistas. A ideia dos caras é empacotar a parada de uma forma linda, que seja bem suave, palatável e vendável para patrocinadores de fora do surf. Mas “peraí, cumpadre”! Desde quando o surf e o surfista é suave, palatável e lindinho? Nós não éramos o esporte da rebeldia?

E ainda digo mais. Tentar padronizar e controlar o que os atletas falam ou escrevem é um tiro no pé da WSL. Polêmica, discussão e controvérsia vendem muito bem. Atraem audiência e poderiam sim, atrair patrocinadores.

Ano passado, em Trestles, após baterias como a infame Tanner Gudauskas x Gabriel Medina – assista acima (na qual, na minha opinião, o título mundial do John John começou a ser definido), alguns atletas tentaram levantar a voz contra o julgamento parcial. Mas aí entrou em cena o fantasma das multas, suspensões e perseguição, que rapidamente calou todo mundo. Lei do medo! E, apenas para lembrar vocês… Sabem quem foi o único surfista do Tour que saiu em defesa do julgamento daquela bateria safada? Mr. Kelly Slater. Sim, o careca estava lá e rapidinho veio a campo pra defender os interesses do negócio dele.

Onde estão as melhorias no julgamento? Cadê o básico? Porque não começar com os juízes e o head judge, talvez não saberem que nota um surfista precisa pra virar uma bateria? Será que ficaria menos parcial?

E, muito importante: a WSL ainda não se viabilizou financeiramente. O Tour ainda não se paga. Na verdade dá um prejuízo milionário anualmente e só sobrevive graças à grana que a ZoSea e Dirk Ziff continuam a injetar. Mas até quando?

Lembrem-se, a WSL banca o World Tour masculino e feminino, o Longboard e o Big Wave Tour. E ainda mais o QS (que é problemático). Conclui-se então, que são dezenas de eventos por ano, e isso custa uma fortuna.

E AGORA?

Más notícias. No início de 2017, Paul Speaker, CEO da WSL, pediu demissão. Abandonou um barco que parece estar furado. Mas, só quem é das internas realmente sabe qual será o futuro próximo.

E, agora, em cima da hora, às vésperas de começar o circuito deste ano, a Samsung (afundada até os ossos em corrupção), principal patrocinador do circuito até 2016, anuncia que não renovará seu contrato com a WSL. Ou seja, neste momento o tour está sem um patrocinador principal.

E agora, Mr. Slater?

Tomara que em março os ciclones da Gold Coast tragam, além de boas ondas em Snapper Rocks, boas notícias para nós que amamos o surf competição – na abertura do Tour Caixa Preta 2017.

Vamos continuar de olho!


POST SCRIPTUM / ESCRITO DEPOIS

 PS1: Eu não sou jornalista, então geralmente escrevo textos longos demais para formatos de internet. Tentei segurar a onda e ser o mais sucinto possível nessa coluna. Mas dava pra escrever mais umas 5 páginas… hahaha!

PS2: Obrigado, Revista Hardcore, tamojunto!

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