Em Jeffrey’s Bay, um pós-surf com churrasco e conversa boa na casa do atual vice-campeão mundial

Texto e fotos por Alan Van Gysen
HC #326, março/17

“Boerewors no braai, com chutney e salada!”, sorri Jordy Smith, ao anunciar o plano para o jantar. Foi um longo dia surfando a perfeita pós-temporada em Supertubes e estamos famintos. Sentamos na área de braai – o termo sul-africano para churrasco – no lar de Jordy em J-Bay – a primeira casa que ele comprou com suas premiações de competições juniores da África do Sul. Ele ama este lugar.

“Tom Curren tocou aqui para meu pai e eu. Sentou exatamente ali”, diz Jordy, apontando como um grommet orgulhoso para um valioso sofá de couro. “Meu pai construiu esta área como um anexo para a casa – melhor coisa que já fizemos”.

Com um olhar profundo, ele observa as chamas baixas que estão transformando as toras de madeira em carvão, e então começa a jogar a linguiça da fazenda na grelha. Um assobio satisfeito ecoa enquanto nos acomodamos, cerveja gelada em mãos, e então começamos a conversar.

HARDCORE: Ei, Jords, o que você estaria fazendo se o surf não existisse?

Jordy Smith: O quê? Se não fosse surfista? Provavelmente estaria envolvido na indústria de surf de algum jeito, porque meu pai é shaper. Como muitas crianças, eu talvez o teria seguido, pois é o caminho mais fácil, e você tem uma experiência em primeira mão do que, de fato, acontece nessa profissão específica. Meu pai trabalha muito mesmo. Mas não é só um trabalho, é uma paixão.

Mas e se realmente o surf não existisse?

Hum? Bem antes de meu pai começar a shapear ele era um técnico de refrigeração habilitado; trabalhava com eletrônicos e coisas do tipo. Fazia manutenção e reconstruía coisas do zero, como geladeiras e micro-ondas. Eu provavelmente teria seguido uma estrada parecida, para me bancar e garantir o sustento da minha futura família.

Como foi crescer em Durban?

Era muito bom. Vivi na casa da minha família em Umbilo até uns 18 anos. Umbilo é cerca de 20 minutos da praia, no interior. É meio industrial e muito… bem, é uma região meio pobre, de classe baixa. Mais tarde nos mudamos para Glenwood, uns cinco minutos distante. Não cresci próximo à praia, mas é isso que tornou tudo tão especial – toda vez que íamos era pura diversão. Tive a sorte de ter meu pai envolvido no surf. Dividia meu tempo entre skate, futebol e surf. Me apaixonei por essas três coisas.

Infelizmente, minha escola era um pouco longe da praia. Levava 30 minutos para chegar em casa e outros 20 até o mar. Mas isso foi um fator a mais para que eu desejasse passar o dia todo surfando nos finais de semana. Raramente surfava durante a semana, ou não dava para ficar na água por tanto tempo, enquanto as crianças que eram educadas em casa podiam. Então, chegavam os finais de semana e eu estava no mar do amanhecer ao anoitecer.

“Meus pais amavam a praia, então foi inevitável que eu entrasse na água, especialmente por meu pai ser shaper, surfista e amar o mar.”

Quando criança eu era absolutamente confiante. Sempre soube o que queria. Meus pais não tinham muito dinheiro, então eu sabia que a única saída era me destacar e o único jeito era com essas horas a mais. Acho que foi daí que tirei toda minha motivação.

Quer dizer, você vê todos os caras no Tour vivendo lifestyles fascinantes – para mim, os do Kelly, Andy, Joel. Nos meus tempos de jovem eu pensava: “Uau, quero viver desse jeito”. Meu pai sempre me disse: “Nunca pense que você é tão bom. Sempre há garotos por aí que têm mais vontade e querem mais. Você nunca vai ser o melhor, então é melhor continuar tentando”. Então, desde pequeno abracei isso e continuei martelando, martelando, até que criei um caminho próprio e tudo começou a acontecer.

Quão novo você era quando começou a surfar?

Minha mãe e meu pai me levavam para a praia desde que eu tinha dois anos. Acho que fiquei em pé em uma prancha pela primeira vez, com boias de braço, aos três. Meus pais amavam a praia, então foi inevitável que eu entrasse na água, especialmente por meu pai ser shaper, surfista e amar o mar.

Só que foi estranho, porque a maioria das crianças surfistas treinavam salvamento, mas eu não. Minha outra paixão era o futebol. Ainda é. É tão o oposto do surf! Eu estava no gramado durante a semana, quando não conseguia ir à praia, e nos finais de semana estava no mar, surfando.

Na verdade, não curtia qualquer outro esporte, a não ser skate, que podia andar facilmente em casa ou na estrada. Nós tínhamos essas calçadas estreitas e esquinas de garagens, de onde eu podia me lançar e tentar aéreos até a rua, para praticar minhas manobras de surf.

Jordy Smith roda o mundo,
mora atualmente na Califórnia,
mas há apenas um lugar em que
se sente em casa: J-Bay.

Jordy levanta para virar na grelha sua famosa, enrolada e picante boerewors (linguiça da fazenda, tradição da cozinha sul-africana).

Então qual era sua onda local?

Comecei a surfar em Addington Beach, que é logo ao sul dos píers de Durban, e só depois que evoluí, meu pai me levou para o outro lado, em New Pier. Penso que ele quis que eu aprendesse o básico antes que desse o passo seguinte.

Muitas crianças pulam esse primeiro e crucial estágio nos dias de hoje; correm antes de conseguirem andar. Como surfar ondas perfeitas e mandar aéreos antes de saber manobrar. Eu ficava feliz em iniciar pelo simples naquela idade – eu não sabia de nenhum outro jeito melhor.

Conforme o tempo passava, eu lentamente me graduei do inside de New Pier para as seções mais cavadas e, finalmente, trabalhei duro para poder ir para o outside. Essa foi outra coisa que minha mãe e meu pai passaram para mim: respeitar os mais velhos e aprender a etiqueta do bom surf.

Lá foi um bom lugar para praticar e desenvolver todo tipo de habilidade?

Com certeza. Não acredito que alguma criança em desenvolvimento perceba que belo campo de treinamento um lugar como New Pier de fato é. Principalmente quando se é jovem. É quente, você pode correr píer adentro e pular direto no lineup, remando de cara em uma direita de três, quatro pés e mandar três, quatro, até mesmo cinco manobras em uma onda.

E você tem repetições. Quer dizer, as repetições são simplesmente constantes e em três horas de surf você pega 40 ondas. Então, realmente, tem a oportunidade de lapidar suas manobras, e quando o maral chega você consegue focar no jogo aéreo.

Nos meus tempos de infância, a quantidade de talentos era tão forte e grande que, toda vez que caía no mar, tinham pros como Warwick Wright, Travis Logie, Davey Weare, Damien Fahrenfort, Paul Canning, Ricky Bassnet… Havia facilmente 30 caras que se puxavam todo dia. Acredito que isso tenha me ajudado bastante.

Era uma época em que o surf na África do Sul explodia. Eles tinham ali a famosa loja Surf Zone, o café e a onda. Você não precisava ir para nenhum outro lugar. Surfava, comia, passava parafina e já estava lá fora no outside, fazendo tudo aquilo de novo. Fazíamos isso o dia inteiro. Aqueles foram alguns dos melhores momentos da minha vida.

Que objetivos você tinha enquanto crescia?

Quando era bem pequeno, entre 7 e 12 anos, na verdade eu não tinha nenhum objetivo sério. Quer dizer, nessa idade você sonha com coisas legais que acredita que gostaria, mas na época não havia nenhuma motivação séria.

O surf profissional, definitivamente, não tinha me tocado ainda, e tudo era apenas diversão. Eu nunca cansava disso. Comia, sonhava e dormia com surf o dia inteiro. Para mim, era tudo uma obsessão.

Eu era e ainda sou obcecado pelo surf. Penso que é esse tipo de paixão que leva as pessoas aos seus objetivos. Uma vez que você alcança determinado ponto, libera seus talentos e passa a enxergar que talvez tenha um futuro naquilo, e é aí que passa a organizar os objetivos.

“Eu nunca cansava disso. Comia, sonhava e dormia com surf o dia inteiro. Para mim, era tudo uma obsessão.”

Quem são seus melhores amigos do surf?

Para ser sincero, meu grupo core de amigos de surf continua o mesmo desde pequeno, de lá pra cá. Caras como o Chad du Toit, para quem ligo toda vez que estou em casa, Damien Fahrenfort quando está por perto, e Travis Logie. Ligo para eles sempre que tenho a oportunidade de surfar.

Sempre admiramos o Travis como o cara que estava no Tour e sempre dividia a riqueza de conhecimento e de quem podíamos nos aproximar. E também Warwick “Wok” Wright – haha, ele nunca surfa por muito tempo, mas é um grande cara para falar besteiras no lineup e simplesmente se divertir.

Esses são os quatro caras com quem sempre pego onda e passo o tempo, e ainda tentamos nos ver hoje em dia. E vira e mexe surfo com o Ricky (Bassnet) em Bluff. Uau! Pensava que o Ricky era a melhor coisa que a África do Sul seria capaz de produzir. Na infância, meu pai sempre me falava: “Você só precisa vencer o Ricky. Não se preocupe com mais ninguém, você só precisa vencer o Ricky”. Acho que até onde eu e meu pai sabíamos, Ricky era o melhor.

Qual é sua memória mais inesquecível da infância?

Uau. Hum… Não sei, sem dúvida teve algumas bem malucas. Provavelmente, o momento em que percebi que poderia seguir uma carreira no surf. Isso foi no ISA World Games de 2003, em Durban. Travis Logie ganhou e eu era parte do time júnior. Ganhei a categoria e aí minha confiança simplesmente passou para outro nível.

Me lembro de remar pelo píer e essa onda surgir na minha frente, e consegui mandar quatro manobras e tirar 8,3. Essa onda virou uma chave na minha mente. Percebi naquela hora e lugar que essa seria a minha vida. Foi o momento em que pensei: “Lá vamos nós, abaixe a cabeça e vá com tudo!”.

Jordy morou longe da praia na infância, surfava apenas nos finais de semana. Mas, tempos depois, conheceu J-Bay. Nas direitas de Jeffrey’s, o sul-africano teve um campo perfeito para lapidar seu talento power e tubular.

Como foi competir o QS?

O QS foi uma experiência bem estranha para mim. Eu tinha passado pelo circuito júnior e fui razoavelmente bem-sucedido, mas escutara quão diferente era o QS e quão exaustivo poderia ser.

Naqueles tempos, você começava com tantas pessoas e tinha de surfar muito mais baterias para só então conseguir um resultado útil. Mas aqueles anos foram importantes construtores de confiança.

Terminei em 17º e depois disso as coisas começaram a se alinhar. Consegui o wildcard no WCT em J-Bay e acabei chegando até a semifinal – e essa foi a transição súbita entre ser um júnior e saber que eu era capaz de competir com os grandões. Foi naquela hora e lugar que tomei a decisão de que precisava estar no Tour.

Eu queria estar no Tour, tipo, para ontem! Eu fui para o Hawaii com alguns bons resultados, pulando de número 200 no ranking do QS para número 20 depois do Mr. Price Pro, acabei com um segundo lugar em Sunset e mandei muito bem em Haleiwa. De repente, eu pensava: “Caramba!” Na verdade, não sei como eu me sairia se tivesse me classificado naquele ano de 2006. Com certeza eu não estava preparado.

Depois de passar por tudo isso, no ano seguinte eu estava tão confiante que comecei a arrancar resultados desde o início e decidi correr o máximo possível de eventos do QS. Na época, se você conseguisse 10 mil pontos já tinha vaga garantida no CT, e na metade do ano eu já tinha isso e, finalmente, venci o QS e consegui o recorde de maior número de pontos, o que foi muito especial.

Eu me surpreendi. Foi uma parada muito importante e, de uma forma incrível, eu estava dentro. Naquele momento eu contava com muitos patrocinadores e as coisas estavam insanas. Tudo aconteceu tão rápido que eu não sabia o que pensar ou o que esperar.

“Meu pai sempre me lembrava: ‘Nunca dê um passo tão maior do que a perna. Se você não trabalhar o suficiente, pode perder a chance’.”

A pressão deve ter sido intensa nos primeiros anos; pessoas querendo que você ganhasse o título mundial, etc. Como se sentiu?

Ah, para ser sincero tinha pressão pra caramba. Ser tão jovem não ajudou. Eu vim direto do colegial com praticamente zero de atenção da mídia, a não ser algumas coisas nas revistas de surf locais e, de repente, caí direto na corrente global.

Todo mundo queria um pedaço de mim e tinha algo a dizer e, em certo momento, começa a acreditar em algumas das coisas que as pessoas dizem sobre você, e perde o controle por ser tão novo e receptível. Entrei nessa bem cego e inexperiente, e me encontrei falando tudo o que pensava algumas vezes, como as pessoas fazem hoje…

Mas, sim… Se quiser ser o melhor do mundo, você precisa estar extremamente confiante e acreditar 100% em si mesmo. Eu acho que você começa a aprender a não falar sobre essas coisas, que tem que manter para si e aprender a ser mais respeitoso para com os competidores e as pessoas à sua volta. Mas essas são coisas que se aprende conforme amadurece.

Aquele primeiro ano foi definitivamente uma surpresa e eu percebi quão mais tem a ver com competir do que com, de fato, surfar. Fiquei em 26º naquela temporada de 2008 e eu ficava tipo: “Uau, isso é loucura”. Eu tive performances boas, mas no final era superado no fator competitivo. E o mesmo aconteceu no ano seguinte, e no outro. Cometi muitos erros, simplesmente erros amadores. Os caras que já estão no Tour há um tempo estão tão acostumados e confortáveis com tudo.

Quem te ajudou a superar toda essa pressão?

Meu pai, com certeza. Ele estava sempre lá para me lembrar: “Ei, nunca dê um passo tão maior do que a perna. Há sempre alguém melhor que você. Sempre alguém trabalhando mais duro e que quer isso mais do que você. Então se você não trabalhar o suficiente, pode perder a chance”. Sempre guardei isso comigo, a vida inteira, e tirei o máximo de tudo. Trabalhar o máximo que posso e, quem sabe, no final das contas será o suficiente. Pelo menos dessa forma você nunca ficará desapontado com o que conquistou ou alcançou.

Em 2016, o vice-campeão Jordy
conseguiu demonstrar no Tour
o que todos esperavam dele
desde que entrou na elite.

E conhecer Lyndall, o amor da sua vida? Muitas pessoas ficaram céticas quando vocês noivaram e depois se casaram…

Eu estava em uma corrida de cavalos durante a temporada de folga do Tour. Vi essa bela mulher andando e simplesmente comecei a conversar com ela. Nos conectamos logo de cara. Sem dúvida havia algumas pessoas desconfiadas e céticas naquela época, e tinha muita energia negativa em nossa direção, na minha direção.

Ter uma namorada e tudo isso. Era meio… isso me chateava bastante, na verdade, por ver tantas pessoas tão negativas. Mas apenas me deixei levar pelo coração, tanto que três ou quatro anos depois nós já estávamos casados.

Eu não poderia ser mais feliz por ter alguém ao meu lado, me apoiando em tudo que faço. Ser capaz de ter uma mente te auxiliando a concretizar seus sonhos é uma coisa; mas quando há duas pessoas que se amam envolvidas, você pode realmente conquistar o mundo. Ela realmente me ajuda de tantas maneiras! Fazer o que amo ao lado de quem eu amo, e compartilhar esses momentos e criar memórias, é algo bastante especial.

“Minha mente relaxa, meu corpo relaxa; tudo parece ser muito perfeito aqui em J-bay. É o lugar certo para mim.”

Você mora na Califórnia agora. Por que se mudou?

Bom, basicamente tivemos de mudar por conta de compromissos com patrocinador e das viagens. O ritmo das viagens se tornou intenso demais. A África do Sul é tão distante dos principais eventos, e a quantidade de horas que passaríamos no avião seria ridícula. Ficamos saturados.

Também é bom para meus patrocinadores que eu esteja nos Estados Unidos. Em me ter na estrada e ligar chamando para ensaios fotográficos ou sessões de autógrafo, tudo isso. Acredito que agora e pelos próximos dez anos é o lugar certo para eu morar.

Sem dúvida, é mais inteligente para minha carreira, mas nunca será meu lar. Por outro lado, mesmo além da cena de surf, muito mais oportunidades têm aparecido para mim diariamente. É incrível viver isso e tenho muita sorte de ter a chance de poder fazer e abraçar essas oportunidades.

Como é ser o Jordy Smith agora?

É basicamente o mesmo, para ser sincero. Eu nunca olhei para mim mesmo de maneira diferente do que no dia que comecei a surfar. Vejo o mundo através dos mesmos olhos, mas com mais maturidade e gratidão. Penso que conforme as pessoas crescem, elas começam a dar mais valor às coisas e não levam tudo muito a sério, ou não dão tudo por certo.

Instruído pelo pai shaper, Jordy caminhou no mundo do surf de degrau em degrau. Primeiro, masterizou manobras de linha. Depois, atacou seções mais no outside e em quebra-cocos, além de voar muito até se tornar um surfista completo.

O que é necessário para ser um dos melhores?

Vai de cada um. Mais do que qualquer coisa, acho que você precisa dessa motivação e de foco à longo prazo. No fundo você sabe do que precisa. Algumas pessoas trabalham duro no equipamento, outras na mente, outras no treinamento e tem as que se dedicam aos relacionamentos. O que funciona para uma pessoa não necessariamente dará certo para outra.

O lance é encontrar essa coisa que funciona para você e que te motiva a ir surfar todo dia, a treinar o mais forte que puder. Acredito que essa tem sido minha maior curva de aprendizado; encontrar o que funciona para mim e me motiva.

Uma porrada de coisas me motiva. Ser bem-sucedido e fazer o que amo me motivam. Ser capaz de fazer isso pelo máximo de tempo possível é extremamente motivante. É motivador se alimentar saudável, é motivador surfar por muitas horas, surfar o melhor que posso, em dedicar várias horas a testar minhas pranchas, em relacionamentos e pessoas que encontro pelo mundo.

Tudo isso tem amadurecido e florescido ao longo dos anos e acredito que esses sejam os pequenos percentuais que culminam na criação de um surfista completo. Trabalhar em seu equipamento para onda pequena, para onda grande, trabalhar seu corpo, se alimentar bem todo dia… São todas essas pequenas percentagens. Talvez seja apenas 5% aqui e 8% ali, mas todas agregam. Todas essas migalhas formam uma fatia de pão.

O que te faz passar baterias?

Autoconfiança. Autoconfiança no que faço, no processo, em confiar nos próprios instintos. Nunca se contradiga. Se tomar uma decisão, apenas vá em frente. Se você está nessa por tanto tempo, é porque tomou boas decisões. Você simplesmente deve confiar nisso. Algumas pessoas têm dificuldade com isso e apenas puxam o gatilho quando é necessário. Não é rock ou roll. Simplesmente ponha-se em um lado ou no outro.

Quando está na água e vê uma série correndo em direção ao pico, você precisa apertar o gatilho e remar até ela. Você não pode se preocupar que, se remar para lá, alguém talvez pegue uma onda aqui embaixo. Você apenas tem de tomar essas decisões no momento e confiar nos seus instintos.

Isso também tem a ver com muito preparo. Estar preparado. Descobri que, se estiver preparado, você sempre estará menos nervoso quando cair no mar. Caso contrário, sua mente viaja para todos os lados e, no fim, você não está em lugar nenhum.

O boerewors está pronto e nós todos estamos famintos após um dia incrível da perfeição de J-Bay com 4 a 6 pés. Mas, antes que comêssemos em silêncio, eu penso alto uma última vez…

O que torna J-Bay tão especial?

J-Bay é o lugar certo para mim, irmão. Conheço todo mundo e sinto que posso soltar o cabelo e apenas ser eu mesmo. Simplesmente me sinto relaxado quando ando por aqui. É um lugar muito especial. Tenho certeza que muita gente sente o mesmo quando chega aqui, ou surfa aqui, ou come aqui. É um dos poucos lugares do mundo em que você pode simplesmente sentar no chão da orla da praia e sentir que está no lugar certo, no momento certo, e que não deveria estar em qualquer outro lugar do planeta a não ser aqui. Minha mente relaxa, meu corpo relaxa; tudo parece ser muito perfeito aqui. É o lugar certo para mim.

Esta entrevista foi originalmente publicada na HARDCORE 326, de março de 2017.

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