Trestles: a onda da evolução ou do atraso?

Jordy Smith vence evento marcado mais pela polêmica, que pelo surfe – ComentaCako via #HCOLLAB



1. VAMOS FALAR!! É PRECISO!

Normalmente, costumo começar minhas análises das etapas falando sobre a melhor coisa que aconteceu, ou seja, o título! Dessa vez, começarei pela pior: o erro (ou erros) grotesco(s) de julgamento. Peço desculpas aos que enxergam o copo sempre metade mais cheio, mas o que rolou em Trestles precisa ser mais debatido e estressado até que alguma coisa mude.

A etapa da Califórnia já começou com a dúvida sobre que tipo de surfe seria mais valorizado, o bom e velho power surfe, feito todo na onda ou o surfe progressivo, com aéreos e giros dando o tom. Aquela onda clama por evolução e voos mais altos, mas também permite uma linha fluida e com pressão. Até aí, tudo certo, afinal, critérios são critérios e gosto também. Tem quem prefira um, tem que prefira outro. Eu, particularmente, acredito que essa prova deva ser pautada na evolução e progresso do surfe. Deixem a linha e as bordas para Bells ou J-Bay.


2. WHAAAAAAT?!

Tudo vinha bem, com uma mescla boa de ambos até o fatídico sábado, dia 10. Até a derrota de John John Florence, que surfou mal demais contra o vencedor das triagens Brett Simpson e foi embora de Kombi. Logo depois, naquele dia, os juízes se enrolaram demais e cagaram no pau – ou teria sido tudo premeditado? Fato é que o julgamento na bateria entre Gabriel Medina e Tanner Gudauskas foi um absurdo e o campeonato perdeu toda a graça. Aquela onda final do brasileiro ter sido apenas um 8.3 foi ridículo. E isso ficou ainda mais claro quando TODOS os comentaristas gringos da própria Liga também ficaram de cara com o resultado anunciado pelo grupo de Richie Porta. Segundo o campeão mundial Barton Lynch (convidado da Hurley para os comentários), que foi chancelado em seguida por Strider Wasilesky e Ronie Blakie, foi a melhor onda do dia. Mas, para os cinco caras que dão as cartas, não foi.

Deram 8,30, seguido de um incrédulo “whaaaat” de Lynch. Palmas para eles, como fez Medina. Estão fazendo direitinho como o chefe mandou. A WSL virou um negócio e isso vai muito contra os princípios do surfe. Será que vai virar UFC?! Se eu não trabalhasse com isso, teria desligado a TV naquela hora e não assistido mais nada do campeonato.

Gabriel Medina durante o Hurley Pro Trestles, antes do fatídico confronto do Round 3, contra o local Tanner Gudauskas. Foto: Kirstin / WSL

Gabriel Medina durante o Hurley Pro Trestles, antes do fatídico confronto do Round 3, contra o local Tanner Gudauskas. Foto: Kirstin / WSL

3. CHORO? COMPLEXO DE VIRA-LATAS? MIMIMI?

Poderia até ser, mas depois de metade do mundo, tanto brasileiros, quanto gringos; tops como Julian Wilson, Jeremy Flores, Matt Wilkinson e Mick Fanning (mais aqui); surfistas renomados como Matt Meola e Jake Paterson e até uma galera que sempre vai contra mim no Facebook foi unânime em concordar, não preciso mais falar nada… Não sei se existem intenções nebulosas de criarem um campeão (eu até acho, mas é melhor deixar as teorias conspiratórias de lado), mas é fato que a maneira como está sendo feito o julgamento precisa ser revista. Só o Kelly Slater foi a favor, mas ele gosta de ser do contra e ainda tem negócios com a WSL. Ou seja, não pode queimar os caras.

Jordy Smith celebra o bi no Hurley Pro Trestles. Foto: Kirstin / WSL

Jordy Smith celebra o bi no Hurley Pro Trestles. Foto: Kirstin / WSL

4. JORDY SMITH LEVOU O BI!

Vamos ao surfe? Os dois melhores surfistas do campeonato foram Jordy Smith e Filipe Toledo. Cada um com um “modelo” de surfe diferente. Na decisão antecipada, a 1ª bateria das semis, o sul-africano levou a melhor, com manobras fortíssimas e muitas rabetadas (moderno, mas na onda). Filipinho começou com um belo aéreo (o mais bonito do evento), mas acabou errando um pouco na estratégia de bateria e não conseguiu outra boa. Vale lembrar que, em todas as baterias até ali, o brasileiro marcou mais de 18 pontos! Mesmo assim, o título foi merecido para Jordy, que ainda venceu o aussie Joel Parkinson na decisão.


5. O CENÁRIO DO TÍTULO

Estamos a três etapas do fim e a disputa pelo caneco ganhou mais um cavalo. Jordy subiu um posto e agora é o 4º colocado geral, com 35.200 pontos. John John Florence segue em primeiro com 41.650, seguido de Gabriel Medina, com 37.450 e Matt Wilkinson, com 36.500. Agora, é tudo uma questão de bons resultados. Descartes não são mais aceitáveis para os que realmente desejam o título mundial. E, claro, torcer para que vença o melhor e não o queridinho da Liga.

Bônus 1:

Outro brasileiro que também foi destaque em Trestles foi Alex Ribeiro. Chegou até as quartas de final e conseguiu um respiro no ranking. Lembrei até da primeira vez que o vi surfar, num Pro Jr no Sul, que ele tirou um 10, com um desses aéreos rodando. Fiquei feliz, principalmente por ter eliminado o Julian Wilson.

Bônus 2:

Os campeões da Liga Do Comenta Cako no Fantasy serão anunciados lá na página do Facebook nessa semana. Novamente, obrigado aos parceiros: Brownie do Luiz, Cerveja Praya, Respeite um Carro a Menos.

Bônus 3:

Para o Quiksilver Pro France, teremos novidades muito boas! Em breve, anuncio, mas já adianto que tem um novo parceiro e novos bolões com prêmios!

comentacako

  • James B

    Como diria Sunny Garcia: Kelly slater é o cara mais egoísta e interesseiro do mundo. e a análise dele da bateria Medina X Tanner foi tendenciosa e apenas para preservar a WSL (que é dele).

  • Cassio Ruas

    Não creio exatamente em uma conspiração, Cako. E nem voc~e mesmo acredita piamente nisso, é logico. Não assim, diretamente aos BRA. Ainda acho que a WSL – contrariando o lema “you can´t script this” – já tem um roteiro pronto. Acontece que esse povinho verde-amarelo sempre aparece pra atrapalhar a história….

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