Uma jornada aos rudes confins da Terra à caça de slabs. Fotos e vídeo


Confira abaixo trechos da publicação que compõe a edição da HARDCORE #327, com fotos exclusivas de mais um The Search da Rip Curl.

Fotos: Ted Grambeau

“Nós estamos no meio do Pacífico, em uma rocha vulcânica, sendo surrados por swells pesados. Nós estamos o mais remoto que se pode estar.”

Quem fala é o fotógrafo australiano Ted Grambeau. Se você o conhece, então vai conseguir escutar o som de sua voz profunda, áspera e vagamente errática; o volume aumenta a cada sílaba, a entrega diminui a cada palavra, arrastando-se por cada frase até você praticamente sentir o isolamento deles.

Dois dias antes dessa erupção vocal, Ted ligou para o escritório principal da Rip Curl. Disse que conhecia um lugar, e que tal lugar estava prestes a ser absolutamente arrebatado por um swell. Eram os ventos certos. A direção não importava. A única coisa que importava era que seriam dois dias de viagem, e o tempo passava.

Se a ligação tivesse vindo de qualquer outro – um fotógrafo entusiasta em busca de uma trip –, a resposta seria “não”. Mas veio de Ted, e de todos os fotógrafos do mundo, Ted está lá no nível de cima quando o assunto é saber que diabos está falando. Ele tem dedicado boa parte de suas últimas três décadas a registrar ondulações, observar mapas e aprender sobre o oceano.

“Não podemos simplesmente levar qualquer um”, ele disse. “Esse lugar… o surf… não é para quem não tem coragem. Se vamos, nós iremos buscar das ondas mais hardcore que se pode encontrar. É remoto, é perigoso e estaremos no limite.”

Dois homens no leque de atletas da Rip Curl se enquadravam para o trabalho: Bruno Santos, carioca, 34 anos, e Guillermo Satt, chileno, 24. Os dois se conhecem há uma década não apenas como colegas de equipe, mas também parceiros de viagem, tendo passado meses juntos atrás de swells pesados pela América do Sul e regiões distantes.

Então, em 48 horas, Bruno, Guillermo, Ted e o filmmaker Jon Frank saíam de um minúsculo aeroporto em uma minúscula ilha no meio do nada. Quando abriram as portas, foram recebidos por um vento fresco e uma garoa leve. Cumprimentaram seu guia, um waterman local conhecido apenas por Alemão, e embarcaram no início de uma jornada por algumas das mais aterrorizantes e recompensadoras ondas de suas vidas.

“Teve uma bela quantidade de preconcepções que nos guiou até essa viagem”, conta Ted, ao reconstituir suas memórias três meses depois. “Era como um drama misterioso, porque uma vez que se vê a costa, você percebe onde está. É provavelmente o litoral mais pesado que já vi ser surfado – e nem um pouco amigável em todos os sentidos.”

Em um lado da ilha está uma grande e perfeita baía, contornada por um penhasco íngreme que mergulha no oceano. Uma onda corre pela base dos cliffs, então vira e se arma pela baía. Quando fica grande, se torna um slab de 12 pés em um recife seco, das melhores ondas que os garotos encontraram. Envolto pelas montanhas vulcânicas ao redor, esta esquerda é o cartão-postal perfeito.

“A onda não parece tão impressionante até você colocar um ser humano ali, como referência”, continua Ted. “Os pequenos pontos nas colinas que você pensa serem pedras são, na verdade, vacas e cavalos. Ao perceber isso, clareia para você o quão grande o swell realmente era. Rapidamente descobrimos que o surf de 6 pés era, de fato, de 10 a 12 pés, e absolutamente vibra ao longo pico.”


Não importa o quão bela seja, a onda não vem sem uma série de obstáculos, e com eles uma série de consequências. A entrada na água é complicada, potencialmente mortal. “Tem de pular do penhasco de seis metros para chegar no oceano”, explica Ted, “e então você tem de atravessar a baía, que, se estiver grande, pode fechar completamente. Depois de tudo, para voltar à terra firme, você tem que arrumar um jeito de escalar a mesma parede rochosa, calculando o tempo do seu ataque entre as séries. É loucura, e apenas para surfistas com experiência. Há muitos caras do World Tour – a maioria, na verdade – que não se sentiriam confortáveis ali.”

“Uma paisagem de natureza abundante combinada com a distinta desconexão do restante do mundo, e você se encontra em um ambiente traiçoeiro e de alto risco. Tudo que é feito nesta ilha é multiplicado por um grau de aflição e intensidade. Como Bruno eloquentemente disse à equipe um dia após a sessão, “médicos deveriam botar monitores cardíacos nos surfistas que caem aqui! Isto não é nada tranquilo!”

Foi assim que Ted realmente encontrou esse lugar: no Google Earth. Simplesmente acompanha para onde o swell vai e vê quem será atacado. Talvez por isso essa ilha, esse lugar seja tão intocado – porque só tivemos a tecnologia e a habilidade para acompanhar swells tão intensamente há um período curto de tempo (…)


Leia a matéria na íntegra na HARDCORE #327.

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