Surfista é resgatado após 14 horas em Peruíbe

*Foto: Carlos Martins / Arquivo Pessoal

Por quase 14 horas, o surfista Wilson Joji Tominaga, de 46 anos, precisou improvisar para se proteger do frio de 15ºC em um isolado rochedo na costa de Peruíbe, no litoral paulista. Ele se abrigou no local, após ser levado por uma forte correnteza. O mar agitado impediu que os bombeiros conseguissem resgatá-lo.

O incidente ocorreu entre a noite de terça-feira (16) e a madrugada de quarta (17), nas proximidades da praia do Guaraú. Joji, como é conhecido na cidade, havia entrado no mar, no final da tarde, em uma prancha de stand up paddle. A remada duraria uma hora e ele disse que retornaria antes do anoitecer.

“Quando fui perceber, vi que as condições estavam um pouquinho piores do que aparentavam. Eu acabei entrando em uma forte correnteza, que me levou próximo às pedras. Não tive muito que fazer”, lembra o surfista. Para nãos cansar mais, ele tomou a decisão em não remar contra a força maré para tentar sair dela.

Ao notar que não conseguiria retornar à praia, ele decidiu subir no rochedo. “Vi ali um lugar ideal para me proteger. Aproveitei uma onda baixar e subi com a prancha e o remo na mão. Foi o momento de mais tensão”, disse. Enquanto isso, amigos dele, ao notarem a demora no retorno, acionaram o Corpo de Bombeiros.

As buscas foram iniciadas por meio de embarcações e uma motoaquática. Soldados o localizaram por volta das 17h30, em uma área costeira localizada a mais de um quilômetro da faixa de areia. De acordo com o sargento Melga, as condições do mar impediam qualquer aproximação para tentar retirá-lo do local.

“A sequência das ondas tornava o resgate muito arriscado. Uma equipe também foi por terra, mas a vegetação também dificultava a chegada ao local”, conta. O anoitecer também fez com que o acionamento do helicóptero Águia, da Polícia Militar, fosse interrompido, já que, segundo ele, não haveria visibilidade.

A comunicação entre os bombeiros na motoaquática e o surfista, no costado, também estava prejudicada. “Não tinha como eu pular no mar para ir atrás deles. Estava tentando repor energia. Pouco ouvia o que eles falavam, mas eu percebi quando eles disseram que voltariam depois, em segurança”, conta Joji.

*Corpo de bombeiros resgatou o surfista após 14h. Foto: Luiz Pinheiro / Prefeitura de Peruíbe

A escolha por não resgatá-lo naquele momento e naquelas circunstâncias, segundo o sargento Melga, foi de não ocasionar algo pior para surfista e para os próprios bombeiros. “A situação não era favorável e vimos que ele estava aparentemente bem. A decisão foi tomada levando tudo isso em consideração”, garante.

Entre a noite e a madrugada, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), os ventos atingiram 20 Km/H e a temperatura não passou dos 15ºC. As condições climáticas, intensificadas pelo ambiente aberto, podem ter provocado sensação térmica inferior a 10ºC.

O surfista, que vestia apenas uma bermuda, teve que passar a noite e a madrugada no local. “Me protegi do vento e do frio em ‘abrigos naturais’. Fiquei atrás de rochas e usei a minha prancha para barrar o vento. Consegui até dormir um pouco”, fala. No início da manhã, por volta das 6h, os bombeiros retornaram.

Joji viu a equipe, pulou no mar com prancha e se agarrou na motoaquática. Segundo o sargento, ele apresentava princípio de hipotermia e foi levado por uma equipe do resgate até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peruíbe. “Mas eu estava bem, saí caminhando, sem maiores problemas”, garante o surfista.

A Prefeitura informou que ele foi examinado e precisou tomar soro. Foi liberado no fim da manhã, quando voltou para casa para descansar. “Foi um erro meu. Eu subestimei o mar. Sempre pesquei desde criança, embarquei por muito tempo e enfrentei tempestades no mar”. Mesmo assim, Joji garante: voltará a surfar nos próximos dias.

*Fonte: Globo.com