Há exatos 15 anos, a Rip Curl fazia uma mudança estratégica, cultural, mercadológica e, acima de tudo, de vanguarda, que geraram resultados positivos. Desde julho de 2002, a sede da Rip Curl no Brasil está, cuidadosamente, instalada na Praia da Enseada, em Guarujá. O endereço de frente para o mar segue a essência da marca, posicionando seus escritórios de negócios, próximos às ondas.

Na ocasião, toda a operação, da criação ao comercial, saiu da Zona Leste de São Paulo, onde fica concentrada a maior parte das empresas do ramo, e seguiu o posicionamento da matriz, criada em Torquay, litoral australiano. Também marcou a mudança de posicionamento, com a marca no Brasil tornando-se subsidiária 100% da Rip Curl global. Mais do que os 15 anos na praia, a Rip Curl comemora o período de crescimento contínuo, em vendas e, principalmente, em rentabilidade, além de ser a patrocinadora do primeiro brasileiro campeão mundial de surf, Gabriel Medina, sem dúvida, um dos atletas de mais influência no cenário nacional.

Felipe Silveira. Foto: Rip Curl / Leo Bosco

“Desde que se estabeleceu no Brasil 100%, a empresa sempre deu lucro, nunca deu prejuízo, teve fluxo de caixa positivo, honrou no prazo os seus compromissos”, afirma o CEO da Rip Curl no Brasil, Felipe Silveira, na marca desde 1996 (começou como representante comercial no Rio Grande do Sul) e atuante no processo de transformar a empresa como subsidiária da matriz australiana em 2002.

Foi dele a ideia de mudar o controle das operações no país para Guarujá. Uma decisão questionada na época e que iniciou várias transformações. “Foi uma decisão extremamente de vanguarda. O Brian (Singer, fundador da Rip Curl na Austrália e na época, CEO global) conversou com várias pessoas influentes do mercado, clientes, perguntando se era viável e a maioria achou temerário sair de onde estavam todas as marcas. Mas ele deu o voto de confiança e mudamos”, lembra.

“Segundo o próprio Brian Singer, o nosso escritório é o melhor posicionado de todas as Rip Curl no mundo, o único de frente para a praia, literalmente. A Rip Curl é uma das marcas mais admiradas pelos surfistas, a mais surf entre as grandes do mercado nacional, por todas as escolhas que fizemos ao longo dos anos”, relata Felipe Silveira.

Junto ao novo e mais atrativo endereço, houve a alteração do modelo de negócio. “Para o totalmente terceirizado, utilizando desenhos lá de fora”, conta, lembrando que o grupo de trabalho também foi bem alterado. “Só 30% optaram por vir para Guarujá. Apostamos bastante em novos talentos, que recrutamos nas faculdades da Baixada Santista. Temos esse objetivo de dar oportunidade para gente jovem daqui. Até hoje é prioridade, apoiar pessoal que vive aqui”, diz.


A ESCOLHA

De acordo com ele, inicialmente o pensamento era ir para Santos, pela infraestrutura e grandeza da Cidade. “Mas eu insisti, por Guarujá ter mais onda, custo menor e por ser um dos lugares onde produz uma grande quantidade de surfistas talentosos. Também estava em pauta Ubatuba e Florianópolis. A opção dos gringos era Floripa, por ser um lugar de uso de roupas de borracha, mas por questão de mercado ficou em São Paulo, por ter 50% do PIB e porque seria uma mudança muito radical e acabou definindo por Guarujá, pela proximidade com a capital”, revela.

Felipe ressalta que a decisão foi muito questionada. Na verdade, até hoje ainda gera desconfiança, refutada com resultados. “Esses 15 anos se demonstraram acertados, pelo o que o local representa na cultura da nossa equipe e do mercado.

“Nossa empresa sempre foi voltada para o surfista. Tem empresas que tem seu principal negócio vender para simpatizantes. Esse cliente não pratica o surf, não depende do surf para viver. Se o surf não está legal, vai para o basquete, para o tênis, jiu jitsu, usa o que a tendência dita. A Rip Curl não! Seu slogan é made by surfers for surfers, feita por surfistas para surfistas. A escolha do Guarujá foi por causa disso. A gente pode desenvolver os produtos e testar no mesmo dia”, relaciona.

O CEO – Nesse mesmo período, a Rip Curl mundial passou por um processo de profissionalização, chamando um executivo com experiência na função, que se estendeu às subsidiárias. Felipe, então, passou a se preparar, iniciando um MBA em gestão empresarial na FGV, para seguir alinhado. No final de 2006, François Payot assumiu o controle global, com a missão de reaproximar a Rip Curl de sua origem, priorizar valores, focar a empresa no ‘core business’, com uma nova reestruturação, e no Brasil a escolha foi quase natural.

“A ideia era que todos os CEOs fossem bons surfistas com histórico no surf e conhecessem os valores da Rip Curl e fui convidado a assumir no Brasil”, recorda. “A empresa vem crescendo desde 2002 em vendas, mas principalmente em rentabilidade. Era de um digito e a partir de 2008 começou a ter dois dígitos. Muito em relação a gestão, posicionamento da marca, qualidade dos produtos”, enfatiza.

PRODUTOS – A empresa chegou a ter no Brasil mais de 1.500 pontos de venda, mas em função da situação econômica e pela Rip Curl procurar uma distribuição muito mais qualitativa do que quantitativa, passou para mil locais. “Também temos sete lojas licenciadas no Brasil, além da online. São oito divisões de produtos, roupas de borracha, relógios, calçados, acessórios masculinos e femininos, confecção masculina e feminina e pranchas. Sempre com prioridade de qualidade e tecnologia”, argumenta Felipe.

“A roupa de borracha é o carro-chefe, está no DNA da Rip Curl, mais reconhecido, onde é líder mundial de tecnologia nesse segmento. É o produto automaticamente associado. Uma das divisões que mais cresce em vendas. No Brasil tem lycra com protetor solar e no Sul é muito frio, usam roupa de borracha quase o ano inteiro”, acrescenta o CEO da Rip Curl no Brasil.

Ele explica que os resultados são extremamente positivos, com base no encerramento do ano fiscal, no dia 30 de junho. “Praticamente repetimos o número de vendas do ano passado, com crescimento de quase 20% em rentabilidade. Pela austeridade na gestão, nos processos, maiores parcerias com fornecedores, redução de alguns custos operacionais. A expectativa é manter. Foi um dos anos muito bons, mesmo com essa crise. Foi um dos cinco melhores anos da Rip Curl, desde que veio para o Brasil”, fala Felipe.

GABRIEL MEDINA – Além de se estabelecer financeiramente como marca, a Rip Curl foi responsável pelo desenvolvimento de patrocínio do primeiro brasileiro campeão mundial, através do programa de recrutamento pelo Rip Curl Grom Search. “Conseguimos com o Gabriel e família realizar o que parecia ser um sonho. A Rip Curl tem colaboração efetiva nesse processo”, anuncia Felipe, sendo categórico em relação a Gabriel Medina, que desde 2009 usa o logo da Rip Curl no bico de suas pranchas.

“O Gabriel tem uma contribuição sólida de onde a marca está hoje. Ele é um atleta excepcional, um talento único e tem uma personalidade carismática. Uma contribuição até mesmo imensurável, não só como marca, mas como vendas. Os produtos assinados por ele, com design dele, são campeões de vendas em todas as categorias”, complementa Felipe.

Nesses 15 anos, a marca que só anotou crescimento, ajudou o Brasil a ter seu primeiro campeão mundial de surf e apoiou outros diversos talentos do esporte, tem sua trajetória ligada a uma sede em Guarujá, quase na areia. “Existe toda uma história envolvida. Falaram que não teria condições de tocar uma surfwear de frente para o mar, longe de São Paulo. É uma grande satisfação ter feito tudo isso acontecer. E ter uma empresa em frente à praia, sólida financeiramente, produzindo campeões, nossa equipe podendo surfar diariamente e poder ter estilo de vida voltado para o esporte, que é nosso negócio”, completa o CEO da Rip Curl.