Depois de tubarão, contusão e alguma confusão, Mick Fanning retorna a África do Sul e realiza o óbvio: vence em JBay – #ComentaCako

Antes de começar a análise, gostaria de pedir desculpas por não ter falado sobre a etapa de Fiji por aqui. Acabei me enrolando com outras questões, aniversário e tudo mais e deixei passar. Ficou só lá no Feicebook.

Sorry e tentarei não repetir a falha!

1. DEU O ÓBVIO!

Eu não tinha a menor dúvida que o Mick Fanning levaria esse campeonato! Não foi o caso (ou em alguns momentos até foi – aquela bateria com o Filipe foi, no mínimo, questionável), mas ele teria toda a ajuda necessária para levar essa. Cantei essa pedra no Séries Fecham. E a final só não foi, novamente, contra o Julian Wilson, porque a chave não permitiu e eles acabaram se enfrentando nas semis.

O Circuito Mundial de Surfe virou um negócio e agora, assim como no UFC, existem caras que são mais interessantes e vitórias que são mais comemoradas ou mais valorizadas. E a subjetividade do surfe permite ainda mais isso que as lutas do MMA. Não estou falando que houve garfadas ou que Mick não mereceu, mas que ele ter levado essa foi bom pra todo mundo, isso é um fato… Até a “contusão” dele antes do campeonato começar foi bem esquisita e pareceu mais uma isca para aumentar o buzz (os idiotas da subjetividade e dos SEO agradecem) em cima de seu retorno a JBay.

Eu acho o surfe do aussie extremamente previsível e repetitivo (quase uma aula de surfe, mas metódica e sem variação), em ondas como essas ele sabe como e onde encaixar aquilo que os juízes querem ver (uma pena, pois às vezes, somente os juízes querem ver).

Enfim, como ele mesmo disse após levantar o caneco: os erros foram consertados. Parabéns para ele e caminho que segue. Só espero que agora parem com esse lance de tubarão e que, no ano que vem, JBay volte a ser apenas lembrada por suas ondas, que diga-se de passagem, são as melhores direitas do Tour.


2. UM COMEÇO MUITO BOM, UM FINAL PARA SER ESQUECIDO.

Os dois primeiros dias de campeonato em J-Bay foram alucinantes. Mesmo rolando altas horas da madruga, dava vontade de ficar acordado assistindo aos melhores do mundo destruindo as longas direitas africanas. Eu, inclusive, encontrei uma amigo, antes de começar a sequência de cagadas, e ficamos horas conversando, empolgados com o que já tinha acontecido e o que estava por vir.

Foi então que Kieren Perrow, o comissário da WSL resolveu dar o ar de sua graça, mais uma vez. Não quero e nem vou entrar nos méritos se ele está sendo ruim ou péssimo nesse cargo, nem se a previsão era ruim ou péssima ou qualquer outra desculpa que possa ser dada. A verdade é que, do Round 3 em diante, esse foi o evento mais broxante do ano.

Começou com altas ondas e depois terminou, porque tinha que terminar, em ondas onde qualquer um que encaixasse mais de três manobras quaisquer era recompensado com mais de 9 pontos. Tais condições foram um afronte ao surfe que pode ser praticado por lá. Ao contrário de 10 manobras na mesma onda, com tubos e arcos amplos e bem projetados, o que vimos foram inúmeras passadas, floaters e batidas curtas.

Uma pena, mas talvez seja a resposta da natureza para aqueles que estão, mais uma vez, tentando ganhar dinheiro em cima dela. Ou pode ter sido apenas mais uma coincidência e uma falta de sorte dos organizadores. Fato é que desde que a WSL virou WSL, não tivemos um evento com altas ondas do início ao fim. Talvez seja a hora de rever essas janelas e pensar um pouco mais nos julgamentos e nos calls. A falta de tempo não pode ser uma desculpa. Os tenistas tops jogam um campeonato por semana durante quase o ano inteiro.

KPERROW

Kieren Perrow e sua dura missão de ter que contar com a boa vontade da natureza para ser feliz. Foto: Divulgação / beachgrit.com

3. KP, O QUE PASSOU PELA SUA CABEÇA?

Dito o que disse acima, não poderia escrever esse texto e deixar passar o que aconteceu na madrugada de sábado para domingo, no dia 10 de julho de 2016. Depois de já terem sido realizados 3 rounds de grande importância (3, 4 e 5), em condições pífias (meio a um metro), o aviso “It’s ON” pipocou no meu celular e corri para assistir às quartas-de-final, que prometia, com 8 surfistas dos que mais gosto para JBay e duelos bastante interessantes.

Logo na primeira bateria, o local Jordy Smith, um dos meus favoritos na atualidade e em condições como as de JBay (nas CNTP e não nos calls de Perrow) encararia o havaiano John John Florence, fortíssimo candidato ao título mundial esse ano. Poderia ser uma bateria chave para as pretensões de ambos. Poderia…

Os dois boiaram durante os 15 primeiros minutos, a bateria reiniciou e o restante foi uma alternância entre ondas horríveis e mais boiadas. Foi triste! Bem triste! John levou com um 3 e pouco como segunda nota. Jordy ficou indignado… Kelly Slater se negou a entrar na água e KP suspendeu o campeonato, anotando mais um erro para sua coleção, que a cada etapa aumentam e ficam mais grosseiros.

Disseram que antes da buzina anunciar o reinicio das disputas, as ondas estavam vindo sem parar e que todos os surfistas foram a favor da decisão de KP. Se assim foi, o campeonato deveria ter as quartas de final toda realizada. Ou o duelo entre John e Jordy tivesse sido interrompido antes do reinicio. Não existe colocar apenas 1 bateria de um round tão decisivo! É coisa de maluco.

MEDINAMIGLI
4.BRASILEIROS EM JBAY

Apesar de ninguém no pódio e algumas eliminações precoces, pode-se dizer que os brasileiros saem da África do Sul com um balanço positivo. Wiggolly Dantas teve uma das melhores performances, enquanto o mar colaborou. Caiu no Round 5, junto com Adriano de Souza e Alejo Muniz.

Gabriel Medina e Filipe Toledo foram mais longe e só pararam nas quartas de final. Medina teve a faca e o queijo na mão, em seu duelo contra Julian Wilson, mas acabou sendo muito passivo. Saiu na frente com uma bela onda e demorou muito para pegar um backup. Achei até que os juízes poderiam ter dado a nota para ele no final, mas seu adversário era uma das cartas marcadas e só pararia mesmo diante de Fanning.

Filipe e Mick têm um surfe que pode ser definido como a tese e antítese. Enquanto o brasileiro é o moderno, Mick representa o clássico, apesar do brasileiro se parecer muito com o aussie quando ele começou (será que o futuro do Filipe vai ser o presente do Mick?). E a bateria entre eles foi exatamente uma disputa entre essas duas maneiras de se surfar. Pior para o moderninho, que realmente não foi muito valorizado em JBay.

JOHNJBAYYYYY

5.MATT WILKINSON, JOHN JOHN FLORENCE, GABRIEL MEDINA E UM TÍTULO MUNDIAL

Ainda faltam 5 etapas, mas dificilmente o caneco dessa temporada vai para outro surfista que não esses três.

Para nossa alegria, Alejo Muniz despachou o aussie (ainda!!!) lycra amarela Matt Wilkinson, ainda no Round 3. Sério, o cara surfou muito mal o campeonato inteiro! Ganhou uma bateria contra o wildcard mais prego dos últimos tempos e, mesmo assim, sofreu! Aquela lycra amarela não merece estar com ele.

Enquanto isso, o John John Florence fez sua segunda final na temporada e encostou. Deve chegar com a faca nos dentes em Teahupoo e aproveitar para assumir a liderança do ranking pela primeira vez em sua vida (eu acho, corrijam-me se eu estiver enganado). Mas como João João não é muito caveira, talvez ele fique da cor lycra que quer vestir (bem amarelo) e não consiga o feito.

Já Gabriel é outro favorito para as próximas 5 etapas. Já ganhou em Teahupoo e fez as últimas 2 finais por lá; tem 3 títulos na França e outras duas decisões no Havaí. Sem falar que Trestles e Portugal também são ondas boas para suas performances.

A briga promete ser boa! A ver e vem comigo!

Bônus 1: Na Liga do Comenta Cako no Fantasy , as disputas continuam pegando fogo! Os prêmios só aumentam e aproveito para agradecer aos meus parceiros: BROWNIE DO LUIZ, CERVEJA PRAYA e RESPEITE UM CARRO A MENOS. Continue participando e seguindo também a página la no Facebook.

comenta

  • Fabricio Meneses Fernandes

    Cako, me desculpe irmão, mas nessa eu não concordo em nada c vc! Mick ganhou com sobras!

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