HARDCORE #334 • NOVEMBRO/17

Pranchas, o que seria de nós sem elas? E é neste universo de constante inovação que mergulhamos nesta edição especial. Na capa, um cara que entende bem do assunto: Caio Ibelli, em um secret no litoral de São Paulo, fotografado por Pedro Abreu.

A matéria principal, Mesa Redonda: Floripa, é uma profunda conversa sobre o universo das pranchas no Brasil e no mundo, que aconteceu durante o festival Lagoa Surfe Arte. As reflexões são de Avelino Bastos, Alexandre Snapy, Felipe Siebert, Rogério Arenque e Rodrigo Silva

Já em São Paulo tivemos a honra de receber, na redação, Eric Arakawa. Em Através da Neblinao shaper havaiano fala sobre suas quatro décadas de carreira, marcada, principalmente, pelo trabalho com Michael Ho e Andy Irons.

No 10 Perguntas, entrevistamos também Marcio Zouvi, o brasileiro que tem aberto as próprias portas no mercado mundial. Na Califórnia, ele está à frente da Sharp Eye Surfboards, responsável pelas pranchas mágicas que tanto ajudam Tops high-performance como Filipe Toledo, Silvana Lima e Ian Gouveia.

Para inspirá-lo na construção do próximo quiver mágico, fizemos um Guia de Pranchas usadas pelos melhores profissionais brasileiros e gringos, mas com margem para adaptar ao surfista do dia a dia. Os autores das obras: Avelino Bastos, Marcio Zouvi, Al Merrick, Jason Stevenson, Matt Biolos, Tomo e Greg Webber (Slater Designs), Xanadu, Jon Pyzel e Alexandre Snapy.

Sorbe este universo de artesãos, ainda tem Alma Hardcore com Achiles Cerullo, shaper de Alana Pacelli e KJ Norton; o curso profissionalizante de shaper de ministrado por Henry Lelot, no Rio de Janeiro; a Prancha Mágica da vencedora do Neutrox Weekend, no RJ, Camila Cassia, feita por Paulo Cedotte.

Além disso, você ainda conhecerá a história da oceanógrafa e ambientalista Sylvia Earle; a Art Room com Rafael Hayashi; a introdução do skate a uma tribo indígena, na coluna Darkroom, de Heverton RibeiroSweet and Sour, de Janaina PedrosoPolaroids, noseriding e outras histórias, com Chloé Calmon; e #IPaintMyDay, de Casami.

E, para nos despedir de mais uma temporada de ondas brasileiras, um Shots especial em um secret no litoral de São Paulo, que quebrou tubular e fez jus a bela capa desta edição.

HC de novembro nas bancas! Garanta a sua ou assine!

 

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Mesa Redonda – Floripa
por Fabricio Flores Nunes e Cristiano Rigo, fotos de Paulinho Sefton

[…] Os gargalos são muitos: pouquíssimos fornecedores que detém o mercado de blocos, resinas e tecidos, a pouca matemática e muita intuição, a ausência de pesquisas e engenharia, insumos caros, mão-de-obra escassa, rotatividade de funcionários, exigências do mercado, apego dos surfistas brasileiros à estética, ilegalidade e informalidade da maioria dos fabricantes, a falsa indústria sustentável do surf, o alto investimento necessário para pesquisas de novas plataformas de fabricação, a produção em escala versus poluição, sustentabilidade versus performance, e a resistência do surfista em experimentar outros materiais, são só alguns dos pontos levantados pelos fabricantes Avelino Bastos, Alexandre Snapy, Felipe Siebert, Rogério Arenque e Rodrigo Silva durante a mesa-redonda “Tecnologia & Inovação” que aconteceu na Semana #surfecomconteúdo da última edição do Lagoa Surfe Arte, em Florianópolis. […]

Alexandre Snapy: “No futuro, não vou dizer que os shapers estarão com dias contados, mas eles estarão muito por trás do design e cada vez menos na sala.” 

Avelino Bastos: “Os principais brasileiros que estão fazendo o Circuito Mundial, eles estão usando de certa forma pranchas que são desenvolvidas por brasileiros.”

Felipe Siebert: “A minha formação como biólogo sempre levou um pouco mais para esses pontos e a prancha foi uma consequência natural, desde uma simples separação do lixo reciclável, como uma oficina pequena que talvez polua muito mais do que uma fábrica de prancha.”

Rodrigo Silva: “O que precisa ser levado em consideração, quando houve a entrada das marcas estrangeiras no Brasil, foi a elevação do preço e a valorização do mercado nacional.”

Rogério Arenque: “A sustentabilidade acaba indo um pouco contra a performance. Existe uma resistência de todo surfista que busca alta performance em usar outro material.”

 

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Através da Neblina
por Kevin Damasio, retratos de Alexandre Gennari

Na primavera, Eric Arakawa, 57 anos, esteve em São Paulo, à convite de Mauricio Fagundes, proprietário da South to South e dono das licenças das pranchas HIC/Arakawa no Brasil. Antes de voltar para o Hawaii – e, claro, à correria de mais uma temporada –, o havaiano parou na redação da HARDCORE, para contar sua história, a relação com Michael Ho e Andy Irons, as transições no mundo do surf e dos shapers e o que vislumbra para além da neblina da atualidade.

Que tipo de legado o Andy deixou para você, para as pranchas, para o surf?

Boa pergunta. Uma coisa… é realmente prestar atenção ao que seus amigos estão fazendo, e não ter medo de perguntar como estão. Realmente se aproximar. O lance com o Andy é… ele era tão popular naquela época! […] Andy era o número 1 do mundo. Mas todo mundo queria um pedaço dele. […] Por mais forte que fosse na água como competidor, em terra o Andy era um pouco inseguro. Lembro de ter uma conversa com ele, depois de ter saído do Tour e ter ganhado vaga de wildcard. […] Como é botar a lycra de novo? “Estou bem, essa é a parte fácil – vestir a lycra e surfar uma bateria”, ele disse. “Quando volto para terra é que o sacrifício começa.” Que tipo de sacrifício? “Pessoas, tentações, o que pensam sobre mim e tudo isso. Então é aí que eu sofro. Na água, estou em casa, bem.”

 

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10 Perguntas: Marcio Zouvi
por Kevin Damasio

Aos 51 anos, Zouvi ainda vê o mercado das pranchas dividido. Os anglo-saxões, principalmente, ainda veem os shapers latinos em um segundo escalão, porém as coisas estão mudando. E como não? À frente da Sharp Eye Surfboards, os designs de Zouvi permitem que Filipe Toledo, Silvana Lima, Ian Gouveia e outros talentos alcem a performance ao nível mais extremo.

Na época em que iniciava a Sharp Eye Surfboards, como era o mercado de pranchas dos EUA, em relação a abertura para shapers estrangeiros? Hoje em dia, algo mudou?

Cara, hoje você vê que no mercado ainda há, sim, um certo estigma. E aí eu coloco os anglo-saxões – australianos, americanos e um pouco dos franceses – em uma panela, e os latinos na outra – América Central inteira, Brasil, e um pouco de Portugal e Espanha juntos. Esse bloco dividido funciona da seguinte maneira: os anglos não se importam de comprar entre si e se respeitam mutuamente. Mas olham a prancha de origem latina como uma coisa inferior, de shapers incapazes de criar um design… A gente mudou isso porque fabrica aqui. De uma forma ou de outra, mesmo eu sendo brasileiro, o americano abraçou porque é uma marca americana. Nesse ponto, facilitou para que eu fizesse não só as vendas aqui, como também para que licenciasse para outros países, principalmente na Austrália – onde estamos crescendo muito com pranchas feitas no próprio país. 

 

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Guia de Pranchas

São 18 designs da mais alta qualidade, muitos deles usados pelos melhores profissionais brasileiros e gringos, mas com margem para adaptar ao surfista do dia a dia, que evoluirá com essas verdadeiras pranchas mágicas. As obras são de Avelino Bastos, Marcio Zouvi, Al Merrick, Jason Stevenson, Matt Biolos, Tomo e Greg Webber (Slater Designs), Xanadu, Jon Pyzel e Alexandre Snapy. Inspire-se, pire e escolha as companheiras ideais para os mares no qual se aventurará.

 

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