HARDCORE #326 • MARÇO/17

Ainda existem secrets, mas até onde eles são secretos? Na reportagem de capa da HARDCORE de março, Mick Fanning se lança na desconhecida direita de The Snake. Entre tubos e mais tubos perfeitos, o autor não identificado desta matéria (um sortudo que acompanhou Mick neste The Search), questiona a perda da essência em preservar secrets, além de comprovar que isso ainda é possível, apesar de todo o furor que inevitavelmente a descoberta gerará no mundo digital.

Ainda no espírito do The Search, entrevistamos Neil Ridgway, o cara da Rip Curl por trás da campanha mais longeva que sustenta o sonho de todo surfista: encontrar ondas clássicas e solitárias.

Dos secrets, passamos para um swell crowdeado, porém épico, em Mavericks. Lucas Chumbinho, Carlos Burle, Alex Martins, Everaldo Pato, Caio Vaz e Danilo Couto reconstroem o dia mais populoso do pico de Half Moon Bay.

Continuamos a viagem pelo globo na África do Sul, ao lado de Jordy Smith. Uma tarde agradável, com churrasco e cerveja, após um swell de pós-temporada em Jeffrey’s Bay, regado por uma conversa que revela o lado humano do atual vice-mundial.

Na saideira, selecionamos as melhores imagens do final de temporada no Hawaii.

Já no Journal, você descobre como escolheu suas pranchas e montar o quiver para o outono/inverno brasileiro; como foi uma homenagem a Ricardo dos Santos na Guarda do Embaú, acompanhada pela celebração do título de Reserva Mundial do Surf; o quiver mágico de Ítalo Ferreira; e uma seleção de equipos e roupas para botar no carrinho.

Ainda tem a nova geração do surf feminino, na coluna de Marina Werneck; a situação trágica e global decorrente e persistente do desastre nuclear de Fukushima, pelo olhar de Steven Allain; Lay Day e mais!

HC de março! Já nas bancas!

 

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Não é wavepool – com Mick Fanning

[..] A expectativa era muito, muito empolgante. Lembrou-me dos dias em Bali, quando o Tubes Bar e o Sari Club eram os lugares onde surfistas se encontravam ao retornarem de distantes reefs, com sangue nos olhos e com as costas fortes da remada, para relaxar e contar histórias. Naqueles tempos, a não ser que realmente confiasse na pessoa, você jamais falaria a alguém sobre o lugar em que estava surfando. Por isso, normalmente distorceria as coisas para manter para si mesmo sua pequena perfeição. Não tenho certeza de como esse ideal se perdeu na cultura do surf, mas penso que deva ser encorajado.

A mesma discrição foi aplicada aqui. Nosso amigo nos passava informação a conta-gotas – só o estritamente necessário. Quando Mick e eu nos encontramos no lugar do primeiro voo, especulávamos sobre o paradeiro da onda. Na verdade, tínhamos certeza de que a primeira parada serviria para nos despistar, um ponto de troca para nos encontrar e pegar suprimentos antes de nos mandarem seguir homens sem face para lugares sem nome. […]

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1o Perguntas: Neil Ridgway, por Steven Allain

Steven: Não vou te perguntar onde fica The Snake, pois suspeito que você não vai dizer, mas gostaria de saber o que está envolvido na divulgação de uma descoberta como essa? Quais são suas precauções antes de iniciar uma campanha assim?

Neil: Ao descobrir uma onda, você sabe que uma hora ela se tornará pública, porque é por isso que você entra nessa. Talvez não faça na primeira vez, nem na segunda, mas, em algum momento, você mostrará para o mundo que a encontrou. Neste caso de The Snake, trabalhamos bastante com as pessoas que nos ajudaram a encontrá-la, ou que falaram para o Mick sobre a onda. Nesse caso, tivemos a decisão premeditada de não dar nenhuma cor à estória. É simplesmente “o homem, a onda e a velocidade”. Só isso. Queremos garantir a sua proteção, para assim podermos voltar outra vez. Olhe para cada grande filme do The Search, para cada grande filme de viagens. O que importa são sempre as cores e as pessoas que conhecemos, e os lugares que vimos e as coisas engraçada que aconteceram.

Então vocês não dão nenhuma pista de onde se localiza a onda? Isso é por respeito às pessoas que a encontraram antes?

Isso, não damos pista alguma, quase não há imagens da praia ou de referências que possam identificar o pico. Temos um acordo com essas pessoas (que descobriram a onda) e sobre a forma com a qual poderíamos trabalhar. Sabe, a maior paranoia era de que eles nos mostrariam o lugar, e que depois nós voltaríamos para lá sem eles; que Mick e eu saberíamos onde a onda fica, então observaríamos o swell e partiríamos para lá em outra missão. Tivemos que provar para eles que podiam confiar em nós. Eu não acho que eles realmente sabiam quão a fundo nós iríamos. Dissemos a eles: “Isso se tornará público, mas podem confiar na gente no final das contas”. Eles confiaram. Isso é super importante, porque eles agora estão dispostos a nos aceitar de volta. […]

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Verdadeiros Titãs, por Kevin Damasio

“Logo que acordamos, já vimos que estava bem grande a parada. Lembro da boia. O mar subia, cada vez ganhava mais força. Quando chegamos lá, estava impressionante. Não gigante, mas grande, lindo e perfeito. Altas ondas. A sessão foi incrível. Mavericks estava diferente. Um slab gigante. Um show de surf. Todo mundo treinou muito. Foi uma puta evolução.

Além das vacas lindas e enormes, o que mais me chamou a atenção nesse swell foram as performances da galera. O big surf está em outro patamar agora. Estou feliz por ser parte disso. Os melhores do mundo estavam na água, em um mar muito difícil, mas valeu a pena. […]” – Lucas Chumbinho

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Um braai com Jordy, por Alan Van Gysen

“Boerewors no braai, com chutney e salada!”, sorri Jordy Smith, ao anunciar o plano para o jantar. Foi um longo dia surfando a perfeita pós-temporada em Supertubes e estamos famintos. Sentamos na área de braai – o termo sul-africano para churrasco – no lar de Jordy em J-Bay – a primeira casa que ele comprou com suas premiações de competições juniores da África do Sul. Ele ama este lugar.

“Tom Curren tocou aqui para meu pai e eu. Sentou exatamente ali”, diz Jordy, apontando como um grommet orgulhoso para um valioso sofá de couro. “Meu pai construiu esta área como um anexo para a casa – melhor coisa que já fizemos”.

Com um olhar profundo, ele observa as chamas baixas que estão transformando as toras de madeira em carvão, e então começa a jogar a linguiça da fazenda na grelha. Um assobio satisfeito ecoa enquanto nos acomodamos, cerveja gelada em mãos, e então começamos a conversar. […]

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