HARDCORE #325 • JAN-FEV/2017

Especial North Shore dos Brasileiros + Sylvio Mancusi, Ian Walsh, Jadson André, elite de 2016, Phil Rajzman, Mundial Adaptado, Guarda do Embaú e mais!

Fotografado por Henrique Pinguim, Lucas Silveira entuba no Hawaii, na capa da primeira HARDCORE de 2017. A sequência completa do tubão do carioca em Rocky Point estampa as páginas do Quadro a Quadro, uma canja do que rolou no North Shore tomado pelos brasileiros, na matéria fotográfica “Do jeito que deu”.

E ainda nos resquícios da saideira de 2016, “Partiu 2017” reflete sobre a última temporada da elite brasileira, e faz projeções para 2017.

Além disso, Jadson André tem um espaço especial na seção 10 Perguntas. A entrevista rolou logo após o potiguar garantir seu lugar no World Tour deste ano, em performances espetaculares nas últimas etapas do QS.

Há ainda uma entrevista-perfil com Sylvio Mancusi, na qual o big rider e waterman hardcore reflete sobra sua vida digna de roteiro de cinema.

Para completar a seção de reportagens principais, conversamos Ian Walsh, enquanto o big rider de Maiu pegava a estrada de Oahu para celebrar o premiado documentário Distance Between Dreams.

E não paramos por aí: na coluna Mar…ina, Marina Werneck fala sobre o retorno de Silvana Lima à elite. No Journal, o bicampeonato mundial de longboard de Phil Rajzman, e o vice de Chloé Calmon; a glória do time de ouro do Brasil no Mundial de Surf Adaptado da ISA; a primeira Reserva Mundial de Surf: a Guarda do Embaú de Ricardo dos Santos; Prancha Mágica com o mais novo Top brasileiro, Ian Gouveia; Equipo, Lay Day, Direto do Front…

HC 325 – já nas bancas! Garanta a sua!

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10 Perguntas: Jadson André – por Steven Allain, fotos de Henrique Pinguim

HC: Como foi garantir sua vaga em Sunset, no penúltimo evento do ano?
Jadson: Cara, foi difícil, eu ficava pensando o tempo todo: “Estou fora do WT, eu já estou sem patrocínio principal, vou perder a minha maior fonte de renda, que são os eventos do WT”. E minha mente não parava, porque eu nunca tinha conseguido um resultado bom em Sunset, sabe? Ao mesmo tempo, eu nunca competi a Tríplice Coroa tão intensamente como eu competi dessa vez. Então cheguei em Sunset me sentindo bem e com a missão de conseguir a vaga.

Nunca competiu tão intensamente por quê?
Porque já eram os últimos eventos do ano. Nos outros anos, eu já estava quase garantido e não levava a Tríplice Coroa muito a sério, até os brasileiros chegarem aqui e ganharem a parada. Porque como eu falei, nos outros anos eu já chegava bem, tanto no WQS, como no WT. Então eu não levava o bagulho tão a sério, óbvio que eu queria passar, queria ganhar dinheiro, queria chegar à final, queria chegar junto, mas esse ano, realmente, o approach foi diferente.

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North Shore: Do jeito que deu

Em novembro e dezembro, o Hawaii viveu dois meses atípicos para uma temporada. As ondulações viraram muito de norte, com vento forte e muita areia nas bancadas. Nenhum swell de noroeste bateu de jeito para limpar o fundo de Pipeline. Porém, no North Shore o que não falta é opção de onda. Quando o mar reagia, a galera abandonava as quadras de tênis para cair em Rocky Point, Sunset, Jocko’s, Laniakea e por aí vai. Waimea quebrou bem mexido, mas, como de praxe, chamou a atenção durante a cerimônia de abertura da janela do Eddie Aikau Invitational. Fora da água, os brasileiros ainda comemoraram a classificação de Ian Gouveia para o Tour e a afirmação de Jadson na elite. Que os ventos e os swells em Oahu virem no início de 2017.

Surfistas Ítalo Ferreira, Lucas Silveira, Victor Bernardo, Wiggolly Dantas, Carlos Burle, Yago Dora, Adriano de Souza, Deivid Silva, João Chumbinho, Diego Silva, Gabriel Medina, Andrew Serrano
Fotógrafos Henrique Pinguim, Pedro Gomes, Ryan Miller
Picos Pipeline, Log Cabins, Rocky Point, Off-The-Wall

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Nos profundos olhos do mar – por Adriano Vasconcellos, retratos de Caio Palazzo

Surfista, big rider, stand up surfer, kitesurfista, waterman, lutador de muay thai, jornalista, estrela de tv, conhecido pelos mais próximos como Mauka, codinome havaiano que indica “montanha”, que ele ganhou ainda moleque no Guarujá.

HC: Eu vou voltar nesse papo. Quando você chegou no Guarujá, citou o Taiu Bueno, o Jorge Pacelli. Você fez parte de uma geração de peso do Guarujá?

Sydney: Fiz. Foi incrível a influência desses caras. O Murilo Bernardi, o Xan Brandi, os irmãos Sandro e Plínio Zarzur do Monduba. Eles já iam para o Hawaii toda temporada. Os Zarzur, foi até engraçado, porque eu fui passar um Natal na casa deles, e eles estavam fazendo greve de fome porque os pais não estavam dando a passagem para ir para o Hawaii. Tinha um peixe na mesa e os caras causaram, o maior show de horror. Era coisa de mimado, de paulista playboy, muita gente pode falar, mas os caras iam para o Hawaii e pegavam Pipeline. [Ben interage o tempo todo com os pais, Sylvio e Bia]. “Oi Ben, quer açaí?” Esse moleque adora açaí, quer todo dia, não vence. “Toma abacaxi, que é fruta e é gostoso.” Aliás, acho que o Guarujá tem muito a ver com o Hawaii. É uma grande escola. É aquela coisa, eu estava acompanhado de pessoas que quebravam em Waimea: “Vamos cair! Bora!”. Estar com os caras certos nas horas certas foi crucial. “Diga com quem andas, que te direi quem és!”. Para tudo na vida é assim.

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Partiu 2017

Já era de se esperar que, após dois títulos mundiais consecutivos e o Grand Slam do ano retrasado (brasileiros venceram o Título Mundial, o WQS, o Pipe Masters, a Triple Crown e o Mundial Junior em 2015), seria difícil manter a total dominância do circuito em 2016. Mas nossos representantes fizeram bonito mesmo assim, fechando o ano em Pipeline com dois integrantes entre os Top 10: Medina e Toledo, em 3º e 10º, respectivamente. Mineiro terminou em 11º, Ítalo em 15º e Caio Ibelli como Rookie of the Year, o melhor estreante do ano, na 16ª posição. Ainda se reclassificaram Wiggolly Dantas e Miguel Pupo (21º e 22º), e Jadson André, que entrou pelo QS (que, nesta edição, ganha destaque com a entrevista na seção 10 Perguntas); junto de Ian Gouveia, que ainda comemora a vaga no Tour.

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De 2 a 100 pés – por Kevin Damasio

Na última temporada de ondas grandes, Ian Walsh encarava os maiores swells que já vira em seu quintal de casa. Em três semanas, Jaws recebeu três ondulações na casa dos 70 pés. Ian encarou as situações extremas em Maui, ao lado dos irmãos também big riders Luke, DK e Shaun. Durante preparação física e mental e as sessões históricas, Ian e família eram acompanhados por uma equipe de filmagem, dirigida por Rob Bruce, que registrava tudo minuciosamente por quase um ano.

HC: Consegue descrever o sentimento de estar prestes a surfar em Jaws? O que passa por sua cabeça nessas situações?
Ian: O sentimento é de processar tudo que o oceano está fazendo – todas as texturas da água; de onde os ventos sopram; quanta corrente parece ter; quanta espuma volta das pedras, pela refração do swell. Tudo se conecta para mim e consigo focar em quão grandes as ondas estão. Antes disso, penso no plano de segurança e em toda nossa equipe seguir para o lineup para chegar lá no primeiro feixe de luz. E então, tão logo eu pulo do jet ski para a água, é quando a mente esvazia e começo a me concentrar no lineup, olho para a praia, triangulo sobre quão deep estou, quão distante no outside, e me posiciono e ajusto conforme as condições do mar. São muitos pequenos detalhes que sinto, e todos convergem perfeitamente para onde quero estar exatamente antes de dropar uma onda.

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