O legend Terry Fitzgerald foi entrevistado na HARDCORE #330. O papo, sobre concaves, v-bottoms e wings; surf em J-Bay na era do apartheid; a entrada do esporte para as Olimpíadas, entre outros assuntos, corre solto pelas páginas da revista.

Antes de publicar a matéria na íntegra, divulgamos o que o mestre tem a falar sobre o surf em J-Bay e uma outra pergunta que vale a reflexão: “Estilo vale ponto?”. A inspiração para o questionamento vem inspirada nas palavras de Terry, que conta casualmente que nos anos 1970, era de praxe ganhar pontos por estilo.

Confira:


Entrevista Kevin Damasio

Qual era o segredo para conectar todas aquelas seções em J-Bay?

Pranchas. Concaves. E wings. Eu era o único cara… esse era meu design, a “Pin Tail Wing”. Colocava concave no fundo, da metade até a rabeta. Às vezes, era tão fundo que eu me metia em perrengues. Já tomei porrada em Sunset muitas vezes, tentando fazer algo funcionar, porque eu queria que funcionasse. Não era “isso pode funcionar”, mas sim “isso vai funcionar”. Você paga o preço e recebe a recompensa. Trabalhei naqueles designs por quatro ou cinco anos em Sunset, Narrabeen, Uluwatu, e em um ano tudo se encaixou em Jeffrey’s Bay.

O quão bom era Terry Fitzgerald em J-Bay? Dê play e confira.


J-Bay é o lugar perfeito para botar uma prancha no pé, né?
E o lugar perfeito para ir reto (risos). Ir reto é ótimo!

Terry Fitzgerald, Sunset Beach.

No artigo “Ode a um Sultão”, na Encyclopedia of Surfing, o jornalista Matt Warshaw escreveu que surfistas nos anos 1970, para se destacarem, serem reconhecidos, se tornarem referências, precisavam de “forma, interpretação, habilidades e estilo”. O que acha disso? Mudou atualmente?

Bom, nós costumávamos ganhar pontos por estilo. Imagine isso: pontos por estilo. Era como uma dança. Não como ginástica, mas talvez parecido com patinação no gelo, algo do tipo. Então, de fato, o jeito de se destacar dos outros era desenvolver algo pessoal, único.

Acho que tive sorte, porque fazia coisas com os concaves que ninguém mais fazia. Foi isso que me separou. Às vezes, é um pontinho a mais. Mas, hoje, acho que os caras com as manobras aéreas fazem o mesmo. Eles se destacam por fazer algo que ninguém mais consegue.

Em breve confira a matéria na íntegra.