Por Kevin Damasio

Recebemos na redação em São Paulo, na segunda-feira (30/03), dois dos maiores surfistas da atualidade: Dane Reynolds e Craig Anderson. Dane, 29, californiano de Ventura, regular. Craig, 26, sul-africano radicado em Newcastle, Austrália, desde os 15 anos, goofy. Os freesurfers vieram a Sampa para a première do novo filme de Kai Neville, Cluster, recebidos pela equipe da HC e pelo nosso colunista e convidado Junior Faria, e ciceroneados por Gustavo Belloc, diretor geral da Quiksilver Brasil, e Pedro Perdigão, da revista Void.

A exibição do longa-metragem – um dos melhores dos últimos tempos e cuja resenha você confere na HC de abril – aconteceria apenas no fim da noite, a alguns minutos do nosso QG. Então, Craig e Dane aproveitaram o tempo livre para dar um role pela Vila Madalena.

Primeiro conheceram a HARDCORE. Dane, que acabara de desembarcar em Sampa, ficou surpreso ao ver as três capas que emplacou na HC. Depois, seguimos para o nosso quintal para uma sessão de fotos. Nesse meio tempo, rolou uma conversa de meia hora com Dane e Craig, transcrita e traduzida na íntegra no decorrer deste post.

Enquanto Craig é retratado pelo fotógrafo Marcos Villas Boas, Dane e eu começamos a trocar ideia.

HC: Cluster é irado!
DANE: Cluster? Você curtiu?
HC: Sim, nós baixamos. Não conseguimos esperar pela première.
D: Oh, legal!
HC: Assisti duas vezes já.
D: Que irado. Bem legal.
HC: Acha que é melhor do que Dear Suburbia? Qual deles você prefere?
D: Huum… não sei. Eu acho que os dois têm estilos bem diferentes. Gosto mais do Dear Suburbia apenas porque eu estava bem mais envolvido, e é mais pessoal para mim quando assisto; memórias realmente muito boas. Cluster, contudo, é simplesmente irado pelo atual surf high performance – fico simplesmente pilhado.
HC: Você estava machucado também [durante a produção de Cluster].
D: É, infelizmente. Eu perdi algumas das boas viagens dos caras, em que eles pegaram a maior parte das ondas boas e coisas do tipo.

É a vez de Dane ser retratado por Marquinhos. Craig vem ao meu lado.

HC: Seção irada no Cluster!
CRAIG: Yeah, obrigado! Eu fiquei rodando o mundo por mais ou menos um ano.
HC: Um ano filmando?
C: É. Na Indo provavelmente para a primeira parte…
HC: Para onde você viajou? Foi para o Marrocos?
C: O Dane foi pro Marrocos. Eu fui para o South Australia – viajei pra lá um par de vezes. Também para a Indonésia; Macarronis com Dion [Agius] e Ozzie Wright. Foi uma trip muito irada.
HC: Você sabe quão alto voa naqueles aéreos?
C: Eu não sei…
HC: Uns dois metros, talvez…
C: Foi divertido. Com o nível de surf tão alto nesses dias, para emplacar um bom aéreo no filme precisa ser insano. O Noa Deane, por exemplo…
HC: É, vocês puxam os limites tanto no power surf como no jogo aéreo.
C: Yeah! Muito legal ver todo mundo nesse nível. O Noa tem surfado muito bem. O Chippa [Wilson] em alguns daqueles combos [de aéreos]…
HC: Lembro daqueles aéreos do Chippa no Kustom Airstrike [em 2012]…
C: É, insano! E o John John…
HC: Se não fosse por aquele stalefish do John John, o Chippa teria vencido.
C: É, aqueles stalefish que ele mandava em Macarronis, com um giros bem secos… Tão insano!
HC: É, aqueles full rotations… Você já voltou de alguns stalefish também, né?
C: Não nesse filme…


Junior Faria, Craig Anderson e Dane Reynolds no quintal da redação da HARDCORE. Foto: Kevin Damasio

Craig junta-se a Dane e Junior Faria para a sessão de fotos.
Em seguida, volto a falar com o Dane. Enquanto isso, Craig e Junior conversam.

HC: Já surfou em São Paulo?
D: Não. Só vim para o Brasil algumas vezes, mas apenas para Florianópolis, ou Santa Catarina, para os campeonatos. Nunca surfei no Rio ou por aqui.
HC: Lembra de algum bom swell que pegou em Santa Catarina?
D: Nunca estava bom para os campeonatos. Eu lembro de ter pegado uns mares legais em Santa Catarina; Praia da Vila e algumas outras ondas, provavelmente naquela pequena faixa de 10 milhas [16 km]…
HC: Em Florianópolis? Tem Joaquina, Mole…
D: Ah, não, não.
HC: Moçambique…
D: Surfei lá também – quase morri afogado (risos).
HC: Sério?
D: Pulando as pedras… Eu caí e a correnteza estava bem forte nesse sentido (aponta para seu lado esquerdo), e fui resgatado por um jet ski (risos).
HC: (risos) Como estavam as ondas nesse dia?
D: Sempre peguei uns beachbreaks divertidos. Faz um bom tempo, no entanto, que fui para a região de Florianópolis. Mas peguei ondas bem legais nesse dia com o Julian [Wilson], antes de o Julian correr o Tour. Ele estava fazendo… huuum… Qual era o nome? Scratching the Surface (2010). Tinham ondas bem legais. Qual é o nome do lugar com a ilha à esquerda?
HC: Em Florianópolis?
D: Não, mais ao sul; talvez uma hora e meia ao sul de lá.
HC: De Florianópolis? Imbituba. Praia da Vila. No continente.
D: Sim! Surfei ondas próximas de lá. Não lembro qual era o nome do pico, no entanto (risos). As ondas estavam meio mexidas. É forte, mas não sei… não gostei tanto assim. Já surfou essa onda?
HC: Na verdade não fui pra lá ainda… E no Rio, nunca surfou lá então?
D: Nunca foi pro Rio.
HC: Nunca foi pro Rio? O que espera encontrar lá?
D: Estou empolgado, com certeza. Parece uma cidade bonita pelas fotografias. Estou empolgado para conhecê-la. Com ou sem onda, vai ser legal.

Rocky, cachorro border collie do publisher da HARDCORE, Caco Alzugaray, pula alto na tentativa de alcançar folhas na palmeira do quintal da redação.


O “anfitrião” Rocky brinca com Junior, enquanto o trio é fotografado por Marcos Villas Boas. Foto: Kevin Damasio

D: Parece que esses dogs sempre estão loucos atrás de algo. Eles ficam pilhados toda hora…
HC: Conhece o Steven Allain [editor internacional da HC]? Ele tinha um cachorro que vinha para cá também – era um staffordshire bull terrier. Sabe qual é?
D: Ah, sim. Staffy – eles são irados. Queria trazer um da Austrália. Eles são malucos. Gosto deles (risos).
HC: Acabou de chegar em São Paulo, certo?
D: Sim, acabei de chegar. E eles [Craig e pessoal] vieram dois dias atrás.
HC: Da Califórnia?
D: Da Califórnia.
HC: Está rolando onda ultimamente por lá?
D: Na verdade no dia que fui embora parecia muito bom. Mas eu não surfei – deveria (risos).  

Pausa rápida para ver o Rocky finalmente pegando a folha de palmeira.  

HC: Que seção você mais gostou no Cluster?
D: Huuum… não sei. Talvez a do Brendon Gibbens.
HC: É, foi irada!
D: Yeaah! (rindo) Eu gostei da música também, e gosto dele; um cara legal. Fico amarradão por ele, é simplesmente algo inesperado. Como o surf do Jack Freestone. Huum… E o do Noa, obviamente.
HC: A trilha da seção do Jack Freestone não era progressiva como ele, mas a letra de Reckless (Don’t be so…) definitivamente o descreve.
D: Yeah! É muito legal.
HC: Isso é algo do Kai [Neville, diretor de Cluster], certo, sobre a seleção [de músicas]? Vocês que escolhem a trilha?
D: Ah, o Kai realmente tem a palavra final, mas acho que ele deixa os surfistas se empolgarem. Se tiverem alguma que realmente querem testar, e se fizer sentido no filme… Yeah! Tipo, eu estava muito pilhado para usar a música que acabamos usando. Se funcionar… É difícil dizer se vai funcionar, mas eu estava realmente curtindo essa banda há um tempo e queria que fosse aquela música.
HC: Qual era?
D: É “The Wipers”. [Música: “Can this be”]  


Fissurado por shapes, Dane analisou dezenas das pranchas expostas na Aerofish. Foto: Kevin Damasio 

HC: E até mesmo o Derek Hynd tem uma parte no filme.
D: Yeah, yeah, yeah! Essa parte é bem legal. O Derek Hynd surfa demais!
HC: Já surfou com uma prancha sem quilhas [finless]?
D: Sim. Mas não usei por muito tempo…
HC: Como foi?
D: Na verdade eu tinha uma… Shit… eu nem me lembro quem me deu a prancha, mas era uma daquelas Tom Wegener finless de espuma. Uma vez eu a levei pra J-Bay durante o campeonato, e o Derek Hynd me viu andando com ela – e ficou puto, porque eu acho que ele não gosta do Tom Wegener. Acho que ele [Tom Wegener] estava fazendo nessas “linhas de produção chinesas” ou algo do tipo… Aquela era um protótipo e o Derek ficou puto com isso. Pensou que eu fosse… Ele chegou perto, deu uma olhada e ficou super bravo por isso (risos). E a prancha não andou bem de qualquer forma. Mas eu gostaria de surfar com o que o Derek surfa. Parece legal e divertido.
HC: E esse tempo que passou na Austrália? Ganhou esse corte [na testa, acima da sobrancelha esquerda]… Como foi?
D: Sim. Huuum… fiquei lá quase um mês. Para o campeonato, foi super infeliz – as ondas estavam horríveis. E então finalmente o swell de ciclone começou a pulsar após o evento, e então eu cortei minha cabeça. Não pude surfar por alguns dias, então praticamente perdi a maior parte dele, mas…
HC: Em que pico cortou?
D: Em Spookies. É tipo uma ondinha de reef, e então as ondas estavam lá… Estava glassy e seis pés. Deveria ter sido incrível, mas eu estava surfando no pico errado. A direção do swell não estava tão boa aonde eu estava, e então peguei um tubo fechadeira e a borda me encontrou.
HC: Muito raso ali?
D: Yeaaah (rindo).

Craig se junta a nós.

HC: Você viajou com o Craig para filmar pro Cluster?
D: Shit, não acho que… huuum… (Dane volta-se a Craig) Não fizemos nenhuma trip para o Cluster, certo?
C: Eu acho que fizemos uma em South Coast, mas não…
D: (Dane interrompe) E na França. (rindo) Nenhuma delas produtiva.
C: Bons momentos, mas nada de ondas.
HC: Você foi para Tel Aviv [Israel], certo Craig?
C: Sim, ano passado, em janeiro. Foi legal! O lugar é incrível. Fiquei realmente impressionado com a hospitalidade do povo. Talvez não tanto na água – todo mundo é bem agressivo –, mas em terra firme as pessoas são amigáveis.
HC: Na água as pessoas são agressivas?
C: Eles estavam amarradões em nos ver, e tentavam nos dar umas ondas. Eles diziam, “Vai! Vai!”. E então simplesmente acabavam te rabeando. É louco, mas foi uma experiência legal.
HC: E a atmosfera de lá, com todos os conflitos políticos?
C: É doido. Tudo o que cerca o país é apenas guerra. E de alguma forma eles querem apenas manterem-se unidos.
HC: Sentiu isso no povo de lá?
C: Todo mundo é bem amigável, e querem transparecer satisfação, assim como querem que sejam os países vizinhos. Mas, é, não sei… Acho que dois meses depois que saímos de lá tiveram muitos conflitos entre Israel e Palestina. Parecia loucura o noticiário, e ver tudo isso depois de ir para lá…
HC: É, ano passado foi difícil. Uma das piores guerras entre os dois Estados.
C: Realmente difícil… As pessoas são super amigáveis e empolgadas em nos receber. Eu definitivamente voltaria para lá…
HC: Você estava com o pessoal do Surfing For Peace [ONG que atua em Israel e Gaza, criada pelo lendário Dorian Paskowitz]?
C: Sim, com o Arthur [Rashkovan, surfista israelense da ONG] e todos os outros caras.
HC: E tentaram ir para Gaza [uma das regiões da Palestina]?
C: Sim, conversamos sobre isso. Mas achamos que era amedrontador, insano demais.
HC: Mas você iria para lá algum dia?
C: Sim, eu iria por uma boa causa. Não sei… Estava realmente impressionado pelas pessoas de lá. Eles são realmente amigáveis e generosos, muito satisfeitos em viver naquele ambiente onde as pessoas podem se dar bem entre si, mas todos os países vizinhos não são assim…
HC: Eles só querem paz, certo? Os governos são os que criam os problemas…
C: Sim!  


Craig e Junior na Aerofish. Foto: Kevin Damasio

Pausa para a foto com toda a redação e os convidados especiais.  

HC: É sua primeira vez no Brasil?
C: Sim, minha primeira vez. Está sendo legal. Cheguei apenas no sábado, há dois dias.
HC: Desde sábado em São Paulo?
C: Sim.
HC: Conseguiu surfar ou não? [obs: domingo, 29/03, rolaram altas no litoral norte paulista…]
C: Não, não surfei. Acho que vou surfar um pouco o Rio. Você surfa bastante enquanto trabalha nos projetos, então, quando termina, só quer… precisa ter um pequeno break.
HC: Vai ficar no Rio por quanto tempo?
C: Acho que ficaremos até sábado.
HC: Ah, terão alguns dias livres.
C: Sim! Tive alguns aqui também. Fui na… Não tenho certeza do nome da galeria aonde fui ontem… Sesc.
HC: O que rolava lá?
C: Marina Abramović.
HC: Uns tipos de performance, né?
C:  Sim! Foi irado presenciar isso. Aquela mulher é louca.
HC: Como foi?
C: Não sei explicar… Ela é muito paciente.
HC: O que mais te impressionou nessa exibição?
C: Huum… Teve uma performance em que ela apenas ficava sentada… Acho que ela sentava-se ali por 700 horas. As pessoas chegavam lá [para ver] e ela apenas sentava-se, vestindo um vestido vermelho, encarando os indivíduos. O olhar dela era tão estranho…
HC: Imagine ela no lineup, durante um evento do CT, esperando pelas ondas…
D: (Dane volta-se a Craig, rindo) É assim que você é quando surfa.
C: (risos) É, eu posso esperar horas. Sempre sento na prancha e apenas espero e espero.
HC: Espera pela boa.
C: É! Dane pega todas as outras ondas…
HC: Então essa é uma boa parceria. Ele pega todas, você pega uma (risos).
C: Yeaah! Vamos fazer uma surf trip neste ano, para ver se rende alguma coisa.
HC: Aonde pensam em ir?
C: Huum… Passar algum tempo na África do Sul, acho, esse ano. Talvez ir para Namíbia de novo – quem sabe ainda mais para o noroeste. Mas não sei… Simplesmente passar um tempo na Austrália. A Austrália tem umas ondas muito boas.
HC: West Oz?
C: Sim, West Oz! South Oz também tem boas ondas. Os acessos são mais difíceis, o que é bom, ninguém por perto. Mas, é, não sei… Talvez tentar ir para Fiji esse ano – nunca estive em Fiji.
HC: Nunca?
C: Nunca. Então talvez ir para lá…
HC: Em Fiji tem ondas que… Uns brasileiros foram para lá e surfaram Waidroka Bay…
D: White Rock?
HC: Waidroka Bay, em Fiji.
D: Huum… nunca ouvi falar.
HC: Tem muitos picos lá que nunca foram surfados, ou filmados, fotografados…


Paa finalizar o role, uma breja descontraída com Dane e Craig. Foto: Kevin Damasio

C: Toda vez que vou para Desert Point, encontro uns caras brasileiros, e fotógrafos, que pegam Growers – esses motherfuckers malucos pegando os tubos mais insanos do pico! Todo ano tem um grupo deles que encaram as maiores lajes.
D: Essa onda é difícil?
C: Yeah!
D: Sério? (elevando o tom da voz)
C: Tão insana! Porque você fica dentro do tubo, e a onda simplesmente continua a crescer, dobra-se direto no reef seco, e tem esse grupo de brasileiros…
D: (Dane interrompe) Reef afiado?
C: Yeah! (e Craig continua a frase) … que sempre surfam lá – nem mesmo vão para o fundo. É insano!
HC: Brazilian Nuts.
C: Não sei quem são os caras, mas sempre sento lá e converso com eles.
HC: Você surfou Growers?
C: Sim, (rindo) mas não me jogava que nem eles. Peguei uma ou outra, mas eles esperavam pelas maiores e mais assustadoras.
HC: Muito raso?
C: Sim! Aposto que sim. Não sei, deve ser. Correram umas fotos de peles cortadas e coisas do tipo…


Craig e Dane no Beco do Batman, Vila Madalena (SP). Foto: Kevin Damasio

Agora Dane está à minha direita e Craig, à esquerda.  

HC: Quando vocês se conheceram?
D: Quando?
HC: Sim, vocês se lembram?
D: Não tenho certeza, talvez há uns cinco anos ou algo próximo disso….
C: Sim! Quando aconteceu aquele lance da Quik em Nova York?
D: Não sei se já te conhecia… Acho que não nos conhecíamos tão bem até aquele dia em Straddie, certo?
C: Sim!
D: Foi por aí… (rindo) Não lembro de um encontro específico, mas cinco anos atrás.
HC: Em uma surf trip?
D: Nesse dia que fomos para Straddie durante o Quiksilver Pro, com o Kelly e… (olha para o Craig) Eu, você e o Kelly.
C: E o Jeremy.
D: O Jeremy estava lá? Não sei, mas… conseguimos uma porrada de fotos naquele dia – as ondas estavam quebrando! Estava muito divertido. Extremamente crowdeado em um pico, e por alguma razão nos surfamos em outro próximo – e foi muito legal. Só eu, Craig e Kelly basicamente… (começa a rir enquanto fala, aumentando o tom da voz) e Jeremy? Não sinto que o Jeremy estava lá, porque…
C: Lembro de ter visto uma foto…
HC: Que pico era?
D: South Straddie, na Gold Coast. Lembro que a prancha que eu usava era irada. 5’7’’. Eu surfava de 5’7’’ por 19 ½, mas aquela era 18 ¼ – super estreita. (rindo) Queria usá-la em ondas boas. Era tão irada em ondas boas…   
C: Sério? 5’7’’?
D: (rindo) Sim!
HC: (volto-me para Craig) O que você usava naquele dia?
C: Não consigo lembrar direito o shape… Eu acho que era uma “Stupid”…
D: Eu juro que era a mesma prancha que você usa pelos últimos cinco anos.
C: Yeah!
D: Uma daquelas Hypto Krypto [da Haydenshapes], sabe?
C: Ah, eu tinha essa prancha na época. Mas me lembro de outra pranchinha também. Eu acho…
HC: Em Cluster era você ou o Ozzy [Wright] que surfou com a prancha pequena com a rabeta reta?
C: Acho que o Ozzy surfava com ela. Ele sempre surfa com as pranchas mais estranhas.
HC: O que era? 5’4’’, 5’3’’…
C: Eu surfei… com a Hypto Krypto em algumas das ondas da minha seção. Mas o Ozzy surfou com… eu acho que ele a chama de “Inflatable Mattress” [colchão inflável], tipo uma quadriquilha com a qual apenas ele consegue surfar. Ele surfou muito bem. Bem legal o jeito que ele surfa – simplesmente irado!
HC: Você gosta de quad para aéreos?
C: Não, não gosto. Mas ele consegue mandar aéreo com ela… O Ozzy usa as pranchas mais esquisitas.
D: Já tentou usar a Hypto Krypto com quatro quilhas em ondas boas, tipo esquerdas tubulares?
C: Não… Provavelmente funciona bem.
D: Yeah! Tenho curiosidade.
C: Provavelmente funciona bem.
D: Estranho como tantas pessoas escolhem quatro quilhas para os tubos. Parece que segura bem no trilho – deve ser bom.
C: Preciso testar. E quero surfar com biquilhas.
HC: E single fins nos tubos?
C: Yeah, eu curto! Surfar com uma grande e grossa prancha… Em umas duas ondas na minha parte no Cluster, eu surfo uma single fin 6’6’’. Era super irada! Eu podia sentar cinco metros mais longe do que todo mundo [no lineup] e pegar as que eu queria (risos).
HC: Pegar todas (risos).
C: Mas eu esperava bastante.
HC: Lembra da sessão de single fin na qual mais se deu bem?
C: Sim! Em Greenbush, talvez três, quatro anos atrás.  Uma viagem em que o Ryan Callinan mandou um insano aéreo de backside que fez a capa da Surfing. O Matt Meola estava também. Era daquelas trips realmente de alta performance, e eles mandavam aqueles aéreos insanos, e eu meio que estragava as coisas – só surfava de single fin o tempo todo, e acho que os fotógrafos estavam ficando bravos, porque eu tirei onda a trip toda. Mas teve esse dia em Greenbush, rolava de 4 a 6 pés, tubos muito bons. Eu peguei uma porrada de onda simplesmente porque sentava mais para fora do que os outros.
HC: Você não esperava apenas pela melhor…
C: Sim! Eu esperava pela minha vez, mas é sempre bom surfar com pranchas grandes.
D: O Yadin [Nicol] estava nessa trip?
C: Sim, o Yadin estava na trip. Dillon Perillo também… Quem mais…?  

Chega a hora de continuarmos o role pela Vila Madalena. Deixamos a redação e seguimos para o escritório/shaperoom do shaper Gregório Motta e, em seguida, Craig e Dane conheceram o atelier de Carlos Motta, pai de Gregório, conceituado arquiteto/designer e surfista das primeiras gerações brasileiras. Prosseguimos para uma breja na Vila, antes de outra sessão de fotos dos freesurfers com o Marcos Villas Boas.